Uma grande dificuldade dos familiares das vítimas de coronavírus é não poderem acompanhar os parentes quando eles são detectados com a doença e internados em alguma unidade de saúde. Pelo fato da doença ser altamente transmissível, os infectados são isolados em áreas próprias nos hospitais e o contato com a família geralmente é feito através de celulares. A maioria dos hospitais está mantendo os familiares informados sobre o estado de Saúde dos pacientes através de telefonemas ou mensagens, mas nem sempre as coisas funcionam da forma que deveriam.

Mulher descobre morte do pai dias depois

Um caso de morte de um paciente de coronavírus, em que a família não teria sido avisada, veio à tona nesta quarta-feira (19).

O paciente foi internado no Hospital Municipal Salgado Filho, no Rio de Janeiro, no dia 25 de junho, com suspeita de coronavírus.

Desde que Paulo César dos Santos Oliveira foi hospitalizado, a família não teve mais contato com o mesmo, visto que por causa da suspeita da doença ele não poderia receber visitas. Nesta quarta-feira, a esposa do homem teve que ir até a unidade de saúde para levar um filho que estava passando mal, e a irmã do rapaz foi junto.

Ao chegar na unidade de saúde, Tainara Oliveira tentou ver o pai e, por isso, foi passando de leito em leito, mas sem sucesso em encontrar o parente. A moça contou que uma enfermeira falou que era para ela ir até à recepção e pelo nome pedir para puxarem onde o pai estava.

Ela foi até a recepção e ficou surpresa e preocupada ao saber que o nome do pai não estava no sistema do hospital. Após procurar saber mais sobre o pai, ela descobriu que ele havia falecido no dia 1° de julho, há 50 dias.

Pai foi enterrado mais de um mês depois

Tainara contou que durante todo esse tempo, eles mantiveram contato com o hospital, que através de mensagens dizia que o homem estava passando bem.

Ela contou também que a família foi por diversas vezes ao Salgado Filho para levar roupa de cama limpa e pegavam lençóis sujos, levavam para casa e, após lavarem, devolviam à unidade de saúde.

Segundo a moça, eles receberam diversas mensagens do hospital dizendo que Paulo estava bem e estável, até que chegou ao hospital e viu que não era nada disso.

Ela contou que no caderno do hospital constava a morte do pai no dia 1° de julho e seu enterro no dia 5 de agosto, mais de um mês depois. Tainara disse que não imagina quem enterrou o seu pai, visto que os documentos dele se encontram com ela. Eles descobriram que o homem foi enterrado no cemitério de Inhaúma, na zona norte do Rio.

Posição do Hospital Salgado Filho

Segundo a unidade de saúde, eles não teriam conseguido contato telefônico com a família do paciente para avisar sobre a morte e, por isso, teriam enviado um telegrama. A direção disse que o nome do paciente não constava na planilha diária de informações aos familiares desde o dia em que ele faleceu. Eles disseram que investigarão a informação repassada pela família de que recebiam boletins diários sobre o estado de saúde do mesmo.

Eles garantiram que investigarão tudo, inclusive se alguém foi até a unidade de saúde reconhecer o corpo do falecido.

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