Um vídeo que circulou na internet há pouco mais de um ano denunciava policiais militares e seguranças de retirar dois jovens de uma composição de trem obrigando-os a praticar atos sexuais orais no Rio de Janeiro. A situação delicada deixou graves sequelas em um dos jovens. Segundo relato da mãe ao portal UOL, o filho desistiu de estudar, pois não consegue mais frequentar uma instituição de ensino, vive a base de medicações, cinco diariamente e tem acompanhamento com médico psiquiatra e psicóloga.

Relatos da mãe

A mãe de uma das vítimas conversou com o UOL sobre o ocorrido. Apesar de uma das vítimas ter sido usuária de drogas no passado, a mãe afirma que o filho jamais havia apresentando qualquer tipo de problemas psicológicos antes de ser submetido ao abuso.

Após ser abusado o jovem desenvolveu um quadro de esquizofrenia e iniciou os tratamentos medicamentosos.

A vida desta mãe mudou completamente. Ela, que antes trabalhava e tinha uma rotina ativa, acabou sem opções e passou a viver 24 horas em função dos cuidados relacionados ao filho.

Desabafo

De acordo com a mãe, o comportamento do filho se tornou bastante difícil. Ele tem momentos de intensa agitação e quer quebrar as coisas à sua volta. Tais comportamentos fazem com que ela sempre precise estar observando o jovem.

A mãe contou que até pensou em buscar um emprego, em tentar uma vaga e até chegou a ir ao local, no entanto, ela começou a pensar em seu filho e acabou desistindo, afinal ele depende dela e precisa que ela esteja por perto.

Uma das grandes dificuldades da mãe é justamente o fato de que apenas ela consegue controlar as crises do filho.

O caso

Os abusos aconteceram em julho de 2019, na estação Maracanã, Rio de Janeiro. Os responsáveis foram dois policiais militares e dois agentes de segurança da Supervia (administradora dos trens).

As gravações foram realizadas pelos próprios abusadores. Nas imagens é possível observar um dos agressores ameaçando uma das vítimas com uma arma enquanto o obrigava a praticar o ato sexual entre eles. Ainda nas gravações os homens chamam os jovens de viciados e questionam se depois disso continuarão a comprar ilícitos, mais precisamente maconha.

Denúncia

Os jovens denunciaram a abordagem abusiva com o apoio de um familiar e identificaram os indivíduos através de fotografias. De acordo com informações da Polícia, ambos continuam presos na Unidade Prisional da PM, na cidade de Niterói, e as investigações administrativas internas continuam acontecendo. Os seguranças envolvidos foram demitidos, e as famílias receberam indenização pelas agressões.

Traumas

O trauma da vítima que desenvolveu problemas psicológicos foi tão grande, que ele chegou a agredir um jovem na rua apenas por ouvir o nome Maracanã. O rapaz que era alegre, interagia com todos, agora se isola e evita contato direto com qualquer tipo de pessoa.

As crises por vezes são tão intensas que levam à internação.

Em um ano após o crime, o jovem já foi internado duas vezes através do Caps, instituição no qual faz tratamento.

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