Após afirmar que divulgaria uma lista com os países que estariam comprando madeira ilegal do Brasil, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou atrás e disse que irá citar o nome de empresas que estariam importando madeira brasileira de maneira irregular. As informações são do portal UOL.

Bolsonaro afirmou que o Governo não iria acusar nenhum país de conivência ou de ter cometido crime, porém ele teria nomes de empresas que estão cometendo este crime e também o nome dos países que poderiam ajudar o Brasil a combater esta prática. A declaração do mandatário foi feita durante sua live semanal nas redes sociais.

França

O jornalista Augusto Nunes questionou Bolsonaro se a polícia tinha conhecimento sobre o número exato de madeira que é extraída de forma ilegal e comprada por empresas da França.

Bolsonaro declarou que ouviu que existem vários países e a quantidade que é importada. Ele disse que a França está na lista e que tem informação sobre qual é o tipo de madeira, citando o ipê.

O presidente afirmou que Augusto Nunes citou a França porque o país concorre com o Brasil nas commodities.

Bolsonaro disse ainda que o grande problema do país para avançar no acordo entre a União Europeia e o Mercosul é a França. Bolsonaro alega que está se esforçando, "mas a França em defesa própria, nos atrapalha no tocante", reclamou.

Durante a live, o chefe do Executivo brasileiro não revelou os nomes das empresas que estariam envolvidas no crime nem apresentou provas para confirmar seus argumentos.

Estavam presentes na live André Mendonça, ministro da Justiça e Segurança Pública, e também Alexandre Saraiva, delegado da Polícia Federal.

Segundo relatou Bolsonaro, a Marinha do Brasil irá fazer barreiras, pois, segundo o presidente, toda madeira ilegal é transportada pela água.

O delegado da PF Alexandre Saraiva informou como é o processo de identificação da madeira. São três processos distintos, entre eles, um que seria uma espécie de mapeamento do "DNA" da madeira.

Crise diplomática

Na terça-feira (17), Bolsonaro participou da cúpula do Brics. Ele fez a ameaça de divulgar uma lista contendo o nome de países que compram madeira ilegal, uma atitude que pode piorar ainda mais a relação do Brasil com países europeus. A questão do meio-ambiente é a área mais delicada das relações diplomáticas entre o Brasil e países da Europa.

Em 2019, o presidente da França, Emmanuel Macron, se referiu às queimadas na Amazônia como "crise internacional", o que aborreceu Bolsonaro.

A Alemanha por sua vez cancelou sua contribuição para o Fundo Amazônia, e a Noruega tomou a mesma atitude.

A tática de Jair Bolsonaro é usar esta lista para culpar estes países pelo desmatamento na floresta amazônica.

Mas ele parece ignorar que seu próprio governo reduziu a fiscalização da venda ilegal da madeira.

Como mostrou a Folha de S.Paulo, o presidente do Ibama, Eduardo Fortunato Bim, assinou dois despachos que facilitavam o deslocamento de madeira retirada de forma ilegal no país, além de possibilitar que espécies ameaçadas de extinção deixassem o Brasil.

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