Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a Fundação de Medicina Tropical, envolvendo uso da cloroquina para tratamento da covid-19 em 81 pacientes com estado grave na região da Amazônia, mostrou uma taxa de letalidade de 13%, valor próximo ao da média mundial de mortes pelo coronavírus.

Pesquisas internacionais com doentes que não receberam tratamento com a substância apontam uma taxa de mortalidade de 18%. A diferença entre os números não é considerada significativa, estatisticamente, e sugere que a cloroquina não é capaz de fazer a diferença no combate à pandemia, de acordo com o infectologista Marcus Lacerda, pesquisador da Fiocruz.

Trata-se de um resultado preliminar, e os testes com o medicamento devem se estender ainda por cerca de dois a três meses, com 440 pacientes por todo o Brasil.

Inicialmente, o estudo previa que metade dos pacientes usaria uma dose de 10 mg, enquanto a outra metade usaria apenas 5 mg. Contudo, a dose maior provocou diversas reações nos doentes, como arritmia e outras complicações graves, segundo apontou Lacerda.

Diante dos efeitos tóxicos da dose maior de cloroquina, os pesquisadores se apressaram para publicar os resultados preliminares, a fim de alertar grupos que também estejam averiguando o medicamento como possibilidade para tratar a covid-19.

Bolsonaro continua a defender uso amplo do medicamento

Desde o anúncio de Donald Trump, em março, de que a associação de hidroxicloroquina e azitromicina teriam apresentado bons resultados no tratamento de pacientes com a covid-19, o presidente Jair Bolsonaro passou a apostar no medicamento para combater o coronavírus no Brasil.

Os remédios que contêm cloroquina ou hidroxicloroquina são utilizados para tratamento da malária, lúpus e artrite reumatoide, ocasionando diversos efeitos colaterais, como impactar o fígado, alterar o ritmo cardíaco, provocar visão turva e lesão nas células da retina, entre outros. Em alguns casos, pode levar a toxicidade cardíaca crônica, conforme alerta a bula do remédio comercializado no Brasil.

Com as declarações de Bolsonaro, uma busca desenfreada pelo medicamento em farmácias pelo país, na falsa crença de que este poderia ser usado como prevenção para o coronavírus, fez com que pessoas com condições de saúde que necessitam da substância para seu tratamento não o encontrassem mais disponível para compra.

Para mitigar o desabastecimento, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) colocou o remédio na lista de substâncias controladas, para que pudesse apenas ser adquirido com receita médica.

Enquanto o Ministério da Saúde, comandado por Luiz Henrique Mandetta, recomenda cautela no uso da cloroquina devido à falta de testes, Bolsonaro solicitou a dois médicos que desenvolvessem protocolos para aplicação do medicamento mesmo em pacientes que não estejam em estado grave.

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