A cloroquina, remédio da moda no combate ao coronavírus, vem sendo objeto de estudos para comprovar sua eficácia no combate à doença. E a quase totalidade destes aponta, no entanto, pelo lado contrário.

A revista médica The Lancet publicou nesta semana um estudo liderado pelo professor Mandeep Mehra, da Escola de Medicina de Harvard (EUA), que testou o remédio em pacientes que têm o coronavírus. E demonstrou que a droga e também a variante hidroxicloroqiuina não tem eficácia alguma no combate à doença, além de colocar os pacientes com risco de morte por problemas cardíacos.

Estudo da cloroquina teve 96 mil pacientes

O estudo é um dos maiores em quantidade de pacientes observados pelo levantamento. 96 mil pessoas usaram a cloroquina ou sozinha, ou associada com outros remédios (como a azitromicina), e envolveu 671 hospitais de seis continentes, com pacientes internados entre 20 de dezembro e 14 de abril.

A análise envolveu pouco mais de 14,4 mil pacientes que tomaram o remédio, com algumas variações ou combinado com outras drogas. Segundo o estudo, os pacientes que usaram a droga tiveram aumento de risco de arritmia cardíaca e de morte durante o período de administração da substância.

Para os que tomaram a hidroxicloroquina, o risco de mortalidade aumentou 34% e o risco de que problemas cardíacos de alta gravidade, um dos efeitos colaterais do remédio, cresceu 137%.

Os riscos se tornaram ainda maiores para os que tomaram a droga associada com outros remédios (45% e 411%, respectivamente).

Os pacientes aos quais foi administrada a cloroquina também risco aumentado para morte (37%) ou arritmias cardíacas (256%), isto quando a substância é tomada sozinha. Se administrada com antibióticos, o grau de risco de mortalidade segue em 37%, mas o risco de problemas do coração vai a 301%.

Cloroquina não tem eficácia contra Covid-19, diz pesquisador

"Não fomos incapazes de confirmar qualquer benefício da cloroquina ou da hidroxicloroquina em resultados de internação pela Covid-19. Ambas as drogas foram associadas à diminuição da sobrevivência dos pacientes e a aumento de arritmia ventricular quando usadas no tratamento da Covid-19", explicou Mehra.

"O uso dessa classe de drogas para a Covid-19 é baseado em um pequeno número de experimentos anedóticos que demonstraram respostas variáveis em análises observacionais, não controladas e em ensaios clínicos aleatórios e abertos que foram demonstrados amplamente inconclusivos", completa o estudo, ao mencionar outras pesquisas feitas para comprovar a eficácia do remédio.

O estudo feito por Harvard tem se juntado a uma série de pesquisas publicadas que tem mostrado que o remédio não surte efeitos claros no tratamento ao coronavírus. Um dos mais recentes foi publicado pelo New England Journal of Medicine, também neste mês de maio.

Brasil alterou protocolo da cloroquina

Mesmo com vários estudos mostrando tais problemas com a administração dos remédios, o governo brasileiro decidiu mudar o protocolo para que a cloroquina e a hidroxcloroquina possam ser dados também a pacientes com casos leves da doença.

A alteração no protocolo do Ministério da Saúde tem sido defendida pelo presidente Jair Bolsonaro. O presidente é entusiasta do uso dos remédios não apenas para pacientes que estão em estado grave, mas também para o tratamento geral do coronavírus. O próprio presidente admitiu em entrevista que não recebeu qualquer comprovação científica da eficácia da droga.

A postura de Bolsonaro acabou motivando brigas e a demissão de Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich do cargo de ministros da Saúde.

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