Um estudo divulgado na quinta-feira (2), pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), revelou a presença do novo coronavírus em amostras do esgoto de Florianópolis colhidas em 27 de novembro de 2019. A pesquisa, desenvolvida em parceria com a Universidade de Burgos, da Espanha, e a startup brasileira Neoprospecta/BiomeHub, busca traços do SARS-CoV-2 em esgoto humano, a fim de determinar quando ele chegou ao país.

Este seria o registro mais antigo, até o momento, de presença do novo coronavírus no continente americano. No Brasil, o primeiro caso oficial de infecção pelo coronavírus foi confirmado no fim de fevereiro, na cidade de São Paulo, em um homem de 61 anos que havia retornado de viagem à Itália.

No entanto, o Ministério da Saúde informou, ainda em abril, que o primeiro paciente com covid-19 no país teria, na verdade, sido identificado no final de janeiro, mas não forneceu maiores detalhes.

No estado de Santa Catarina, os primeiros registros são do início de março. A pesquisa conduzida pela UFSC, no entanto, pode ajudar a traçar o histórico do vírus em território brasileiro e também como pode ter ocorrido sua mutação.

A descoberta

Segundo Gislaine Fongaro, doutora em Biotecnologia, professora e pesquisadora do Laboratório de Virologia Aplicada da universidade, a descoberta revela que o coronavírus já estava circulando antes que tivéssemos conhecimento de sua presença no Brasil. Ela lembra que isso também foi observado em estudos na China, que encontraram traços do vírus no esgoto em amostras de outubro, e na Itália, que o detectou em material coletado em dezembro.

Os resultados foram checados repetidas vezes, sendo feitas pelo menos 8 testagens por amosta. A quantidade de material genético do SARS-CoV-2 encontrada foi baixa, aumentando consideravelmente a partir de 11 de dezembro de 2019.

De acordo com Maria Elisa Magri, do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da UFSC, a coleta de amostras de esgoto é algo feito rotineiramente pelo laboratório, que as congela para que sejam usadas em diversos estudos.

O esgoto representa uma amostragem de grande parte da população, permitindo descobertas daquilo que ocorre entre os habitantes dos locais por meio das fezes.

No caso específico da pesquisa em busca do coronavírus, foram analisadas amostras de esgoto bruto datadas de outubro de 2019 até o início de março de 2020, quando da notificação dos primeiros pacientes contaminados no estado.

Uma versão preliminar do artigo científico que relata o estudo foi enviada nesta sexta-feira (3), para a plataforma MedRxiv. Para ser publicado em revista científica, o texto ainda precisa passar pela revisão dos pares e ser aprovado por comitê de pareceristas.

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