Lideranças de uma comunidade de povos originários yanomamis e yekwanas alertaram, esta semana, para um possível foco de casos de Covid-19 na terra indígena Yanomami da região de Waikás, localizada próxima a Boa Vista, capital do estado de Roraima.

De acordo com Rubens Valente, em texto publicado neste domingo (28) em sua coluna no portal UOL, a preocupação se intensificou após diversos moradores apresentarem sintomas compatíveis com a infecção pelo novo coronavírus, dentre eles quatro idosos.

Os casos aparecerem depois de um jovem indígena ter viajado juntamente com garimpeiros em um barco. Ao chegar na comunidade, o jovem participou de um ritual que envolveu compartilhamento de utensílios para comer e beber.

Também no dia 18 de junho, um garimpeiro com sintomas associados à Covid-19 procurou ajuda e foi recebido pelos indígenas.

Até sábado (27), o Conselho Distrital de Saúde Indígena (Condisi) confirmou 150 casos de contaminação por coronavírus e quatro mortes entre os yanomamis e yekwanas. Segundo o presidente do conselho, Junior Hekurari Yanomami, todos esses indivíduos teriam contraído o vírus fora da terra comunitária, tendo ocorrido principalmente na Casa de Boa Vista, montada pela Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) como ponto de apoio para indígenas que precisam ir à cidade.

A Sesai, associada ao Ministério da Saúde, deve enviar equipamentos de proteção e oxigênio ao local, que é de difícil acesso, bem como de profissionais de saúde para atenderem à população.

O Condisi reivindica, em nome das comunidades da região de Waikás, a contratação de mais médicos e enfermeiros pela Sesai para que possam atuar entre os indígenas, uma vez que, desde o início da pandemia, 180 profissionais de saúde trabalhando nas unidades de atendimento foram infectados pelo vírus.

De acordo com a Associação de Povos Indígenas do Brasil (APIB), o país tem 9.278 casos confirmados e 379 mortes entre indivíduos dos 111 povos originários afetados até o momento pela Covid-19, número que corresponde a quase um terço das etnias brasileiras.

Nove indígenas xavantes morreram de Covid-19 desde sexta

Entre sexta, 26, e sábado, 27, foram registradas novo mortes de indígenas da etnia xavante com sintomas associados à Covid-19, sendo um bebê, e três dos casos foram de diagnósticos já confirmados.

De acordo com o jornal El País, quatro dos territórios dos povos xavante no estado do Mato Grosso têm casos de infecção por coronavírus. A terra indígena de São Marcos é a mais afetada até agora, contabilizando 64 casos de um total de 102. A primeira morte entre a etnia foi de um bebê na comunidade Marãiwatsede, em 11 de maio.

Para alertar seu povo, o líder Crisanto Rudzo Tseremey'wá, presidente da Federação dos Povos e Organizações Indígenas do Mato Grosso (FEPOIMT) gravou um vídeo que foi publicado na segunda-feira, 22, diretamente do Hospital Municipal de Barra de Garças, onde permanece internado com um aparelho para auxiliar na respiração.

Sua mãe faleceu da doença na quarta, 24, e seu pai também está internado em uma Unidade de Tratamento Intensivo (UTI).

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