Um estudo conduzido por cientistas chineses e publicado na revista Nature Medicine na última quinta-feira, 18, apontou que os níveis de anticorpos em pacientes recuperados da covid-19 reduziram drasticamente após 2 ou 3 meses.

Realizada em indivíduos assintomáticos e sintomáticos no distrito de Wanzhou, a pesquisa mostra uma redução nos níveis de imunoglobulina G (IgG) e nos anticorpos neutralizadores do novo coronavírus num curto espaço de tempo. Essa descoberta não nega que pessoas possam desenvolver imunidade contra a doença, mas coloca em questão se ela pode ser duradoura.

Pesquisadores da Universidade de Medicina de Chongqing, associada ao Centro de Controle e Prevenção de Doenças da China, testaram 37 pacientes assintomáticos e 37 sintomáticos admitidos no Hospital Popular de Wanzhou, segundo protocolo do governo federal, que determina o isolamento hospitalar também para pessoas que não apresentam sintomas da doença.

90% dos pacientes mostraram uma queda significativa nos níveis de IgG, principal proteína do soro sanguíneo que se desenvolve em reação à infecção pelo coronavírus, no período de 2 a 3 meses. Os resultados sugerem que pessoas assintomáticas têm uma resposta imune menor à infecção pelo vírus.

Os testes revelaram que indivíduos assintomáticos têm índices menores de IgG em seu organismo, principalmente durante a fase aguda, além de apresentaram excreção viral por maior tempo: o vírus continua a ser eliminado por seus corpos por cerca de 19 dias. Em pacientes que desenvolvem formas mais intensas da doença, a eliminação do vírus pelas secreções nasais e saliva ocorre, em média, durante 14 dias.

Apesar da queda nos níveis de IgG, apenas 40% dos assintomáticos e 12,7% dos sintomáticos tiveram resultado negativo para a presença da imunoglobulina –o que significa que a maioria das pessoas manteve pelo menos parte dos anticorpos.

As conclusões

As conclusões, segundo os autores do estudo, não determinam que pessoas infectadas pelo coronavírus possam ser infectadas novamente, mas traz pontos importantes para serem levados em conta no desenvolvimento de vacinas contra a covid-19.

Essa foi a primeira pesquisa a comprovar a existência de anticorpos em indivíduos assintomáticos e por quanto tempo eles duram no organismo.

Um outro artigo, publicado também no dia 18 na revista Nature Medicine, relatando um estudo realizado por cientistas de múltiplas instituições nos Estados Unidos, mostrou que o plasma sanguíneo recolhido de pessoas recuperadas da covid-19 não apresentava grandes índices de atividade neutralizadora do vírus.

Os anticorpos, mesmo em quantidade reduzida no organismo, mostraram-se eficientes para a proteção antiviral.

Esse estudo sugere, então, que pode ser necessária uma quantidade pequena de anticorpos para se produzir uma vacina eficaz contra o coronavírus.

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