Um estudo realizado na África do Sul e disponibilizado na plataforma do laboratório Krisp apontou a possibilidade de que novas variantes do coronavírus possam escapar do efeito de neutralização dos anticorpos de pessoas que foram infectadas no passado. Segundo a pesquisa, conduzida pela Escola de Medicina Nelson Mandela, na Universidade KwaZulu-Natal, em Durban, a ação dos anticorpos é extremamente baixa e pode fazer com que indivíduos reinfectados desenvolvam a Covid-19 novamente. O estudo, no entanto, ainda não foi revisado por pares.

O diretor do laboratório Krisp e coordenador do estudo, Tulio de Oliveira, relatou em entrevista à BBC News Brasil que os testes foram realizados a partir da variante do vírus encontrado na África do Sul, a qual contém duas mutações também observadas na variante do Brasil.

O comportamento do "vírus vivo" foi observado em interação com o plasma sanguíneo de seis pessoas hospitalizadas que haviam se infectado com o coronavírus na primeira onda e desenvolvido anticorpos. Conforme explica Oliveira, o que se viu foi um efeito de neutralização muito baixo ou nulo dessa nova variante. Para neutralizar essas novas cepas, em tese, seria necessário um número de 10 a 15 vezes maior de anticorpos.

Essa pesquisa aponta a necessidade de que sejam realizados mais estudos a partir das variantes do coronavírus, que têm se mostrado mais transmissíveis que a primeira versão do patógeno. Além disso, também segundo Oliveira, é preciso levantar a questão sobre como essas mutações podem afetar a eficácia das vacinas e se seria preciso adaptar suas composições.

Mutação detectada na África do Sul também foi encontrada no Brasil

Na segunda-feira (18), pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR), confirmaram um caso de reinfecção pela mutação do coronavírus identificada inicialmente na África do Sul.

O registro da paciente brasileira ocorreu no fim de 2020, na Bahia, e o estudo foi disponibilizado em plataforma de artigos científicos no dia 6 de janeiro.

A mutação chamada de E484K, detectada na paciente, se dá na proteína que encobre o vírus, chamada de "spike". Ela interfere na capacidade de ligação do patógeno à célula do organismo receptor e está associada ao aumento da capacidade de transmissão.

O caso baiano foi o primeiro registro de reinfecção, em que uma pessoa que já havia se contaminado anteriormente voltou a se infectar e a desenvolver a Covid-19. Essa variante do coronavírus também foi encontrada em um caso no Rio de Janeiro e em Manaus.

A constatação de que uma pessoa foi reinfectada e desenvolveu a doença uma segunda vez reforça a hipótese do estudo sul-africano de que essas variantes do SARS-CoV-2 podem escapar à ação dos anticorpos.

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