Atualmente, nem se quer ouvir falar muito do mundo da Ciência, pois sobram os relatos de aumento do coronavírus, ressurgimento do sarampo e as milhares de notícias sobre a crise sanitária que sacode e aterroriza cada um de nós, terráqueos.

Contudo, em meio ao deserto de tantas doenças, a ciência anuncia que há um oásis para podermos nos refrescar ou descansar embaixo da árvore. Sim, há uma boa notícia veiculada nesta semana e que envolve aqueles impossibilitados de andar com suas próprias pernas: os paraplégicos.

Pesquisadores da Alemanha desenvolveram um tipo proteína sintética (portanto, não é encontrada em estado natural) e a injetaram em camundongos que, previamente, sofreram a ruptura completa de suas medulas espinhais.

Apesar da descrição cruel, o resultado foi bem animador e representa uma direção otimista, pois a referida substância colocada no cérebro dos roedores permitiu a volta dos movimentos de seus membros inferiores.

A importância disso reside no fato de que , tanto os humanos como os ratos pertencem ao grupo dos mamíferos e, justamente, por isso, a cura demonstrada na pesquisa revela que o tipo de lesão imposta aos ratinhos é considerado como irrecuperável nesse reino animal.

Religando os pontos

O que os cientistas alemães comemoram é que a hiperinterleucina-6 foi capaz de (re)estabelecer uma comunicação de ordem neurológica, revertendo o quadro de paralisia das patas traseiras dos camundongos utilizados.

Danos efetuados na medula espinhal do homem podem acarretar a paraplegia porque nem todas as fibras (os axônios) dos nervos que carregam as informações/comandos entre os músculos e o cérebro conseguem se regenerar.

Segundo o líder do grupo de pesquisadores, Dietmar Fischer, “a proteína não foi utilizada apenas para estimular estas células nervosas a produzirem por si próprias, mas também acabou auxiliando em processos mais adentro do cérebro (...) com uma intervenção relativamente pequena, estimulamos um número grande de nervos a se regenerar e essa é a razão global de o rato poder andar novamente.”

Os animais não obtiveram a solução num “piscar de olhos”: a cura deles se deu de dois a três meses após a ministração da hiperinterleucina-6.

A próxima etapa do estudo envolve o aperfeiçoamento do tratamento e a transferência desse método para mamíferos maiores como porcos, primatas ou cachorros. Caso tudo isso seja positivamente afirmado, aí sim pode-se passar à fase de testes com seres humanos. Mas, Fischer alerta: para se chegar à última instância (a dos bípedes), levará certo tempo, não será algo imediato.

Não deixa de ser uma boa promessa para as vítimas de acidentes de trânsito ou por prática de alguns esportes. Tanto assim o é que os estudiosos da Ruhr University Bochum publicaram o relatório com o resultado da pesquisa no “Journal Nature Communications” na metade do mês de janeiro de 2021.

Ainda não será tão cedo que muitos aposentarão suas cadeiras de rodas, mas já é possível caminhar no túnel escuro, pois lá na frente existe uma luz tênue. Os paraplégicos já possuem um motivo de girar mais rápido as rodas e correr na direção dessa luzinha.

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