Em todo lugar é a mesma coisa, pode variar o endereço, mas quem não tem medo de ficar ou vagar sozinho à noite e presenciar fenômenos e aparições do outro mundo?

Na Indonésia, um modo criativo (se bem que assustador) tem ajudado as pessoas a se resguardarem em suas casas, garantindo a obediência da quarentena e desestimulando a formação de aglomerações.

Um grupo de voluntários localizado na Ilha de Java – uma das principais do país – colocou em prática uma ação assombrosa desde o começo de abril, no intuito de conter a expansão do coronavírus.

Integrantes deste grupo têm se vestido de ‘fantasmas’ e percorrido as ruas nas madrugadas, o que tem arrepiado gente incauta que não está nem aí para a pandemia.

Eles decidiram reavivar a lenda do “pocong”.

Folclore

De acordo com as crenças populares da Indonésia, existiriam seres do “outro lado” que andariam perto de cemitérios e vestidos pela mortalha branca em que foram enrolados. Para a sorte dos mais medrosos, os “pocongs” ou “pochongs” não possuem caminhar rápido; eles são lentos porque foram envolvidos firmemente na vestimenta branca com dois nós: um na cabeça e outro no pé.

O objetivo dos voluntários é conscientizar os mais teimosos ou aqueles que fazem questão de violar as regras de isolamento social. No início, deu certo, mas a estratégia começou a não surtir efeito por causa da curiosidade do povo em ver e fotografar os ‘fantasmas’, sugerindo a formação de aglomerações.

A coisa (tanto as aparições como a ação voluntária) deu muito certo e foi parar na mídia e nas redes sociais.

O chefe dos voluntários, Anjar Pancaningtyas, disse que é bom ser diferente e o “pocong” tem o potencial necessário para dissuadir certos conceitos equivocados, mas necessários na atualidade.

A produção destas entidades não fica somente no vestuário. Também se usa maquiagem para dar um tom mais mórbido à atuação e assim atingir o convencimento dos que resistem à idéia da quarentena.

A fim de não virar um clamor de segurança pública, Anjar declarou que seu grupo está trabalhando em conjunto com a Polícia local.

Ou seja, os soldados sabem do “fenômeno” e compactuam com isso.

Não se tem notícia de qualquer iniciativa semelhante tão original e maluca quanto a dos ‘pocongs’ em outros lugares; mas não duvide se gente ‘desse lado’ se vestir como gente ‘do outro lado’, fazendo com que gente ‘desse lado’ permaneça em suas tumbas (sic!), ou esclarecendo melhor: nas suas casas.

A situação real da pandemia na Indonésia é de 5 mil casos de infecção com a morte de 400 pessoas. O país entrou em emergência nacional a partir de 31 de março. Mesmo assim, as autoridades indonésias relutam em adotar o isolamento social, limitando-se na orientação à população quanto ao hábito de higiene e evitar as aglomerações.

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