Neste sábado (24), o jornal O Estado de S. Paulo apurou que o programa Pátria Voluntária, comandado pela primeira-dama Michelle Bolsonaro, há quase dois anos segue firme nas redes sociais. Mas, na realidade, o programa não recebe doações desde julho de 2020. Segundo dados fornecidos pelo Governo, o programa tem gastado mais com propaganda do que destinou em doações.

O governo já empregou cerca de R$ 9,3 milhões em publicidade e vinculação para manter o site no ar. No entanto, apenas R$ 5,89 milhões das doações foram utilizadas. Essas doações foram feitas por empresas privadas e por pessoas físicas.

De acordo com os dados colhidos, a maior parte desse montante foi transformada em cesta básicas.

Infelizmente o programa parou em um momento, onde mais da metade das famílias brasileiras sofre com o avanço da pandemia do novo coronavírus e suas variantes pelo território brasileiro. A crise tem promovido a insegurança alimentar da população no país.

Publicidade do Pátria Voluntária é feita com dinheiro público

Os recursos arrecadados são depositados numa conta gerida pelo Banco do Brasil e posteriormente são destinados às entidades parceiras do Pátria Voluntária.

No que se refere ao dinheiro usado para a publicidade do programa, este sai dos cofres públicos por meio das verbas do Orçamento da Secretaria de Comunicação e que são arrecadadas por meio dos impostos.

O conselho que define o chamamento público é formado por 15 dos 23 ministros e são eles quem definem as entidades que irão receber as doações. Mas, segundo o que consta nas atas das reuniões, são os seus assessores que costumam ir representá-los.

A última reunião aconteceu em 23 de fevereiro, segundo informações da Casa Civil.

O jornal também apurou que desde maio do ano passado, o colegiado se reuniu apenas 3 vezes.

Primeira-dama distribuiu 7 mil cestas básicas no interior de SP

Na terça-feira (20), Michelle Bolsonaro chegou a visitar Araçatuba, Presidente Prudente e São José do Rio Preto (interiores de São Paulo) promovendo o programa de auxílio social, Pátria Voluntária.

Fazendo companhia à primeira-dama do Brasil, estava a ministra Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) e Nabhan Garcia (secretário especial de Assuntos Fundiários do Ministério da Agricultura).

No percurso visitaram instituições de caridade e distribuíram aproximadamente 7 mil cestas contendo alimentos para as instituições. A ação de Michelle Bolsonaro foi filmada e publicada em seu Instagram e rendeu mais de 120 mil visualizações.

Campanha do Pátria Voluntária teve mais verba do que covid-19 e dengue juntas

Cerca de R$ 1,1 milhão foram utilizados pelo programa para a produção de materiais de mídia. A agência responsável pela divulgação é a carioca Artplan, que se tornou uma das principais prestadoras de serviço do governo federal.

Grande parte da verba publicitária do Pátria Voluntária foi para a compra de espaços de mídia. O levantamento mostra que a maior beneficiada foi a Rede Record (TV e rádio) que recebeu R$ 1,38 milhão. A empresa de TV tem tido destaque na distribuição de verba publicitária do governo de Jair Bolsonaro. Já, a TV Globo e afiliadas distribuídas por todo o País ficaram apenas com R$ 839 mil do bolo publicitário relativo ao programa presidido por Michelle Bolsonaro.

A divulgação online também teve destaque. Foram R$ 2,4 milhões para divulgação em grandes empresas como o Twitter (R$ 337 mil), Facebook (R$ 402 mil) e Google (R$ 436 mil).

Os gastos do governo com a campanha do Pátria Voluntária supera várias outras campanhas.

Por exemplo, para o combate ao mosquito Aedes Aegypti (dengue) foram R$ 2 milhões, em 2020; para falar sobre o “cuidado precoce” contra a covid-19 foram cerca de R$ 6 milhões, segundo a Secretaria de Comunicação do governo.

Os R$ 9,3 milhões da campanha do Pátria são comparáveis ao dinheiro destinado a divulgar ações de enfrentamento à violência contra a mulher em 2019 (R$ 10,2 milhões). Procurada pela Folha, a Secom não respondeu. Mas a Casa Civil afirmou que a propaganda do programa Pátria Voluntária foi veiculada antes do advento da pandemia de covid-19.

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