Na quarta-feira (27), a Câmara dos Deputados chilena aprovou em votação o projeto de lei que reduz temporariamente em 50% os vencimentos recebidos por parlamentares do Legislativo e também por ministros, governadores e o presidente da República.

A medida vale por 60 dias, até que uma comissão autônoma defina novos tetos. Integrantes do Poder Judiciário e do Ministério Público ficaram de fora dessa poupança de gastos. O gesto do Congresso do Chile é para tentar conter ou diminuir a forte tensão que domina o país há quase 40 dias, desde que o Governo anunciou aumento nas tarifas do metrô de Santiago.

Apesar do esforço no corte salarial, algumas verbas dos políticos permaneceram intocáveis, como as verbas de gabinete. Mesmo assim, o próprio presidente Sebastián Piñera reforça e concorda com a ideia do projeto.

Caso tenha o aval do Senado, nenhum parlamentar poderá ganhar mais do que 20 salários mínimos. Até o presente momento, cada político eleito ganha em torno de R$ 31 mil mensais. A metade disso seria o recebimento de R$ 15,5 mil por mês.

Violência frequente

Nação invejada por sua estabilidade e progresso econômicos, o Chile vê a onda de violência, protestos, saques e confrontos com a Polícia se alastrar pelo país.

Há relatos de invasão de centros comerciais, incêndio de escritórios de jornais e depredação de um hotel. Os meios de transportes como ônibus e metrô continuam sendo atacados. A fúria dos manifestantes já quebrou ou danificou mais de 70 estações do metrô de Santiago.

Com a crescente destruição se espalhando para além da capital, e atingindo cidades como Concepción, La Serena e San Antonio, Piñera declarou que a “violência está causando danos irreparáveis”. Em seguida, aproveitou o pronunciamento para dizer que mais 2.500 policiais serão mobilizados com o intuito de garantir a ordem.

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O pior desde o fim da ditadura

A preocupação de Sebastián Piñera é fracassar na implantação de “reconstruir” o país. Certamente, é a mais grave convulsão social vivenciada no Chile desde que a ditadura acabou em 1990, com a saída do general Augusto Pinochet.

Promessas como o aumento em quase 50% no valor das aposentadorias e a convocação de uma Assembleia Constituinte não surtiram o efeito desejado pelo governo. Aliás, esses dois itens fazem parte do rol de exigências dos manifestantes –principalmente uma nova Constituição, uma vez que a que está em vigor foi elaborada e promulgada durante o regime restritivo e duro de Pinochet.

O cenário mais complexo em que o Chile mergulhou envolve vandalismos a estabelecimentos comerciais, ao patrimônio histórico e a edifícios públicos. A quantidade de feridos só aumenta e 23 pessoas já morreram nos confrontos pelas ruas.

O projeto de lei em tramitação contempla um período de 60 dias no corte de parte das remunerações dos cargos políticos. A intenção é montar uma comissão que estude e defina os novos patamares de remuneração dos cargos mais altos do funcionalismo e dos políticos eleitos.

Sem manejo e demonstração eficaz de controle sobre a questão, o presidente Sebastián Piñera só viu crescer a lista de reivindicações dos revoltosos. Como não bastasse, o ruído de panelaços ganhou o tom no início dessa semana, após a confirmação de que um estudante universitário de 21 anos, Gustavo Gatica, perdeu completamente a visão. Ele foi vitimado por balas disparadas por policiais.

Derrotas sucessivas

O gosto amargo que insiste em não sair da boca do mundo político chileno só se intensifica por causa de falta de condições para sediar eventos como a final da Taça Libertadores de América, a qual foi transferida para o Peru, e o reconhecimento oficial da inviabilidade de sua participação na conferência do clima –a COP 25–, que se realizará em Madri, Espanha, no mês que vem.

Em relação a este último evento, a derrota foi dupla, porque o Chile seria o país que acolheria a conferência sobre o Meio Ambiente, obrigando a sua transferência para a Europa.

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