Provavelmente, muitos ao redor do mundo se questionavam sobre um dos temas mais controversos e polêmicos: quando, afinal, vai terminar a novela do Brexit? Será aquele final previsto ou haverá mudança no roteiro?

Agora parece que isto será levado a cabo, pois a Rainha Elizabeth II assinou e aprovou no dia 23/01, o projeto de lei que trata do divórcio do Reino Unido em relação à União Europeia. Assim abre caminho para que realmente os britânicos deixem o bloco econômico na quarta-feira (29/01) e, quem sabe seja para valer a última data combinada, depois de quase cinquenta anos de Relacionamento conflituoso e atribulado entre as duas partes.

Foram quase três anos de suspense, expectativas, viradas de mesa e muita negociação; o que resta apenas é a assinatura do primeiro-ministro britânico Boris Johnson no Tratado de Retirada. Do lado europeu, são necessárias as assinaturas da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, do presidente do Conselho Europeu, Charles Michel e dos representantes do Parlamento Europeu.

Os líderes de ambos os lados envolvidos têm uma sessão agendada para a próxima quarta-feira, dia 29/01, para fazer os trâmites derradeiros.

Dois dias depois, o processo será finalizado com a separação oficial dos ingleses do resto da Europa – o que geograficamente acontece, pois a Inglaterra é uma ilha.

Resumo da ópera

Em referendo popular ocorrido em 2016, 52% dos que compareceram às urnas escolheram por abandonar o bloco econômico composto por 28 países. Logo a seguir, estipulou-se como primeira data de saída o dia 29 de março de 2019.

Conduzido por enormes e acalorados debates no Parlamento britânico, o adiamento ainda teve outras três datas marcadas, a maior parte delas em 2019. Entre a decisão do voto popular até hoje, existiram duas eleições legislativas como forma de estender o acordo ou procurar termos e condições mais suaves para a retirada do Reino Unido. O que não mudava eram as farpas e discussões entre conservadores e trabalhistas, gerando uma sensação de mais recuos do que avanços em torno do Brexit ou do “não-Brexit”, lembrando o dilema vivido por Hamlet de William Shakespeare.

“É um momento histórico, embora não seja agradável, ou bom para nós”, disse o presidente de Assuntos Constitucionais da UE, Antônio Tajani, em meio aos representantes ingleses no Parlamento Europeu. Dentro da delegação britânica, podia-se observar a divisão entre os tristes e os alegres.

Daqui em diante

O Reino Unido é a primeira Nação em mais de 60 anos acerca da criação da União Europeia, a deixar o bloco. No entanto, mesmo após a retirada oficial, o país deverá cumprir algumas regras até o fim deste ano sem direito à participação nas decisões da União Europeia. Existirá um período de transição entre as partes no tocante à manutenção do relacionamento, especialmente no aspecto comercial.

As negociações deste tema podem demorar de um a dois anos, mas Boris Johnson se adiantou e recusa esta opção.

Abaixo da linha do Equador

Enquanto a bainha descostura de um lado, os ingleses estão costurando um acordo de livre comércio com o Mercosul. A expectativa do Reino Unido é que tudo se resolva dentro de um prazo de até dois anos. Segundo autoridades do Brasil e da Inglaterra, há um clima de otimismo, uma vez que as negociações ocorrem desde o ano passado. Os empresários britânicos e brasileiros estão nesse mesmo ritmo de negociação para ajustar os termos.

O que se pode adiantar até o momento é que os ingleses gostariam de incluir a cibersegurança e a proteção de base de dados.

Outra questão crucial para eles é o tema ambiental e a permanência dos membros do Mercosul no Acordo Climático de Paris. Há negociações com o Ministro da Justiça, Sérgio Moro, para firmar uma parceria entre Reino Unido e Brasil na área de segurança. Parece que esse final de novela adquiriu uma versão oficial e outra de cunho alternativo, misturando risos e lágrimas, drama e comédia. Shakespeare gostaria de escrever esta história moderna nos seus moldes.

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