A Câmara dos Deputados publicou na edição desta terça-feira (29), do Diário Oficial, a formalização da renúncia do deputado federal Jean Wyllys, do PSOL-RJ. O parlamentar tomaria posse do cargo nesta sexta-feira (1°).

Na última semana, o deputado anunciou estar deixando o país em razão de ameaças de morte que estaria recebendo contra ele e sua família desde o ano passado. A vaga será assumida pelo suplente David Miranda, PSOL-RJ, que usou as redes sociais para prometer que continuará priorizando as pautas LGBTs e outras minorias.

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No documento enviado ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, do DEM-RJ, Wyllys afirma que "em caráter irretratável" não irá tomar posse do cargo. Ele também anexa uma carta dirigida ao PSOL, na qual acrescenta outras razões para não assumir a vaga em Brasília.

Defensor dos direitos LGBT, Jean Wyllys afirma que sofre difamação desde o primeiro mandato e que no último ano o número de fake news sobre ele tem se intensificado. Segundo o deputado, as ameaças de morte também se estendem a sua família.

Jean vive sob escolta policial desde o assassinato da vereadora Marielle Franco, também do PSOL-RJ e militante dos direitos humanos. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) já reconheceu que Wyllys vive sob risco iminente de morte.

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal informaram que investigam as ameaças contra o deputado desde 2012.

No ano passado, outro parlamentar do PSOL-RJ quase foi executado.

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A polícia frustrou, no dia 13 de dezembro, um plano de três homens ligados a um grupo de milicianos para assassinar o deputado Marcelo Freixo dali a dois dias, durante uma agenda no sindicato dos professores de Campo Grande.

Nas redes sociais, Jean Wyllys publicou que preservar a vida também é uma "estratégia de luta" e não informou em qual país está vivendo.

Trajetória

Jornalista, professor universitário e político, Jean Wyllys ficou conhecido após vencer a quinta edição do reality show Big Brother Brasil, da rede Globo.

Primeiro deputado gay assumido, foi eleito com 24.295 votos. Começou na Câmara dos Deputados em 2010 e teve como principais bandeiras pautas relacionadas às causas LGBT e direitos humanos.

O deputado se envolveu em algumas discussões e bate bocas nas sessões do plenário. Uma das ocasiões mais polêmicas foi com o atual presidente da República e então deputado federal, Jair Bolsonaro, do PSL, durante o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016.

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Wyllys cuspiu em Bolsonaro e foi punido pelo Conselho de Ética da Câmara. À época, Wyllys afirmou em nota que teve uma reação espontânea contra xingamentos e agressões que recebe há anos em razão da orientação sexual e posição política.

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