Jean Wyllys, ex-deputado federal pelo PSOL, acabou deixando o Brasil após ser alvo de ameaças. No entanto, na Europa, ele tem dado diversas entrevistas criticando Jair Bolsonaro, parte dos eleitores que o apoiam e membros do Governo, como por exemplo, o ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sergio Moro. O ex-parlamentar chegou a dizer que uma parcela daqueles que apoiam e aplaudem Jair Bolsonaro possui o "vírus da burrice".

Jean Wyllys está buscando um novo recomeço de vida na Europa. Sua primeira entrevista coletiva foi dada em em Berlim, na Alemanha, e divulgada pelo portal UOL.

Publicidade

Nessa entrevista, Wyllys falou das dificuldades que está vivendo, onde precisa da ajuda de amigos. Em decorrência de sua oposição a Bolsonaro, ele foi convidado a falar em vários países.

Em entrevista dada na última segunda-feira (18) e publicada nesta quinta (19) pela Folha de S.Paulo, o ex-deputado afirmou que não são todas as pessoas que estão contaminadas pelo "vírus da burrice e do preconceito", que, segundo ele, contaminou o governo brasileiro e parte das pessoas que vivem aplaudindo o presidente da República. As declarações de Wyllys aconteceram pouco antes dele dar uma palestra na Fundação Rosa Luxemburgo, que é ligada a um partido alemão de esquerda.

Críticas a Moro

Jean Wyllys decidiu atacar o ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sergio Moro, colocando em dúvida todo o seu empenho para a aprovação do pacote anticrime, que foi apresentado ao Congresso esta semana.

De acordo com Wyllys, o pacote anticrime de Moro tem o objetivo de ampliar as formas de assassinar as pessoas. Para ele, são artimanhas que o governo criou para oprimir aqueles que são contra o governo Bolsonaro. Essas declarações foram dadas à Rádio França Internacional.

Ainda na entrevista à Folha, Wyllys demonstrou desconfiança com as palavras de Moro de que a Polícia Federal está investigando as ameaças que ele recebeu.

Publicidade

Para o ex-parlamentar, essa disposição de Moro causa dúvidas, já que, de acordo com ele, pessoas ligadas à família do mandatário do país estariam envolvidas nessas ameaças.

Moro calado

O ex-deputado também criticou uma suposta inércia de Moro em relação ao envolvimento político da família Bolsonaro com milicianos do Rio. Wyllys acredita que a demissão de Gustavo Bebianno não foi apenas por suspeitas de candidaturas laranjas no PSL, mas sim pelas relações com essas milícias.

O ex-parlamentar do PSOL acredita que a oposição ainda esteja em fase de construção de estratégias para poder se impôr contra o governo Bolsonaro.