O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, manifestou-se nesta quinta-feira (23), através de rede social, sobre a decisão da Câmara dos Deputados de retornar para a pasta da Economia o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que estava sob a responsabilidade do Ministério da Justiça, conforme havia sido decidido peio presidente Jair Bolsonaro.

Os parlamentares aprovaram nesta quarta-feira (22), por votação simbólica, o texto base da medida provisória da reforma administrativa, e Sergio Moro acabou não conseguindo convencer os políticos sobre a necessidade que ele via de manter o Coaf sob sua chefia.

O ministro disse que lamenta o ocorrido, mas mesmo assim agradeceu aos parlamentares que votaram a favor da manutenção do Coaf na Justiça.

Conforme declarações do ex-magistrado que conduziu a maior operação de combate à corrupção do país, a Lava Jato, perder ou ganhar faz parte da democracia. Os responsáveis em retirar o Coaf das mãos de Moro foram deputados de partidos de oposição ao Governo e do grupo formado pelo Centrão.

"Sobre a decisão da maioria da Câmara de retirar o Coaf do Ministério da Justiça, lamento o ocorrido. Faz parte da democracia perder ou ganhar. Como se ganha ou como se perde também tem relevância. Agradeço aos 210 deputados que apoiaram o MJSP e o plano de fortalecimento do Coaf", disse Moro.

O Coaf é um órgão de inteligência do governo federal que atua no combate e prevenção ao crime de lavagem de dinheiro. Moro defendeu, recentemente, na Câmara dos Deputados, que manter o Coaf na Justiça seria uma estratégia de combater a corrupção e a lavagem de dinheiro, pois fortalecia as investigações da Polícia Federal.

Estrutura do governo

Nesta quinta, os parlamentares também votarão dois pontos que envolvem a MP de estrutura do governo. Vale ressaltar que o presidente Jair Bolsonaro diminuiu o número de Ministérios, passando de 29 para 22. Seria uma forma de enxugar gastos. Embora o governo tenha conseguido a aprovação dessa MP que visa a estrutura do governo, dois pontos serão discutidos hoje na Câmara.

Um deles é sobre o trecho que limita a competência do auditor fiscal, que está relacionado com investigações de ordem tributária. O outro trecho é sobre a competência do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações e Comunicações, que exercerá as atribuições de Secretaria-Executiva do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.

Derrota

Nesta quarta-feira (22), Bolsonaro minimizou a derrota do seu ministro Sergio Moro, que não conseguiu ficar com o comando do Coaf. Durante comemoração em Brasília dos 71 anos da criação do Estado de Israel, o mandatário do Brasil disse que o Coaf "continua no governo".

Embora diante dessa derrota de Moro, Bolsonaro enalteceu a votação da Câmara que aprovou a MP sobre a estrutura do governo.

O risco era disso caducar no dia 3 de junho. Agora só falta passar pelo Senado e depois ter a sanção do presidente.