No domingo (3), ocorreu mais um lastimável ato de censura à liberdade de imprensa, durante manifestação de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, em frente ao Palácio do Planalto. Um grupo de manifestantes cercou o repórter fotográfico Dida Sampaio, do jornal O Estado de S. Paulo, e disparou ofensas ao mesmo, que tentava registrar o momento. Ele foi derrubado e levou chutes pelas costas.

O Dia Mundial da Liberdade de Imprensa foi marcado por um episódio que está se tornando frequente para imprensa brasileira, agressões e ofensas a jornalistas e a imprensa.

Neste domingo, o fotografo Dida Sampaio e o motorista do jornal o Estado de S. Paulo estava em mais um dia de trabalho acompanhando uma manifestação de apoiadores do presidente Jair Boslonaro. O ato tinha como objetivo apoiar o presidente e criticar o Supremo Tribunal Federal e o Congresso Nacional.

O fotografo chegou a ser derrubado duas vezes, chutado e levou socos no estômago. O motorista Marcos Pereira também foi agredido. E as agressões a profissionais da imprensa não pararam. Jornalistas da Folha de S.Paulo e do site Poder 360 foram empurrados e ofendidos.

Uma pessoa disse ao presidente que estavam expulsando os repórteres da Globo, e o presidente respondeu que a emissora carioca foi lá para falar besteira.

"Essa TV foi longe demais", declarou Bolsonaro, que não repudiou a agressão feita pelos manifestantes aos jornalistas.

Agressões à imprensa

O feriado do Dia do Trabalho foi marcado pela violência aos jornalistas. No dia 2 de maio o cinegrafista da TV Record foi agredido por manifestantes que estavam na Polícia Federal em Curitiba.

O ex-ministro Sergio Moro foi depor sobre o caso de envolvimento do presidente Jair Bolsonaro, na tentativa de interferir nas investigações da PF.

Bolsonaristas, que agora se colocam contra Moro e as acusações feitas pelo ex-juiz da Lava Jato, foram até o local manifestar apoio ao presidente e se contrapor ao ex-juiz da Lava Jato.

No dia 1° de maio, outro grupo agrediu profissionais de saúde, que foram para Praça dos Três Poderes protestar em defesa do isolamento social.

Repúdio às agressões à imprensa

O jornal O Estado de S. Paulo manifestou através de nota que repudia veementemente os atos de violência cometidos contra sua equipe de jornalismo e destacou que foi um ato covarde contra o jornal, a imprensa e a democracia. A Federação Nacional dos Jornais (Fenaj) e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo destacaram que os fatos ocorridos demostram que o discurso feito pelo presidente Jair Bolsonaro expõe os repórteres brasileiros.

Foram 179 agressões de Bolsonaro à imprensa em 4 meses

De acordo com a Fenaj, nos primeiros quatro meses do ano, o presidente Jair Bolsonaro atacou a imprensa 179 vezes.

O monitoramento feito pela entidade demostrou que somente neste ano de 2020, Bolsonaro proferiu 179 ataques à imprensa, agressões diretas foram 28, e 149 tentativas de descredibilizar a imprensa.

Segundo a Fenaj, o presidente é o maior responsável por ataques à imprensa, e as declarações dele quando se trata sobre o coronavírus, Bolsonaro tenta responsabilizar a imprensa pelo caos e histeria na população relacionada à doença.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, reconheceu a importância dos jornalistas no combate ao coronavírus, destacando que jornalistas e profissionais da mídia são cruciais para ajudar a tomar decisões informadas.

"A liberdade de imprensa é um dos pilares da democracia e toda sociedade deve repudiar os ataques ocorridos," declarou Maria José Braga, presidente da Fenaj.

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