Nesta terça-feira (5) a deputada federal, Joice Hasselman(PSL-SP) fez críticas ao presidente Jair Bolsonaro através do seu perfil no Twitter. Joice, que foi aliada do presidente desde a campanha até o momento em que ocupava o posto de líder do governo na Câmara dos Deputados, atualmente é uma das principais críticas de Bolsonaro e da sua gestão. Ela chegou a dizer em uma das publicações que fez ao longo da tarde que sente vergonha de ter trabalhado ao lado do presidente e por já terem sido aliados.

Ela afirmou também que o Governo Federal estaria recomendando aos ministros citados pelo ex-ministro da Justiça Sergio Moro durante o seu depoimento para a Polícia Federal, que caso fossem chamados para depor ficassem em silêncio durante suas oitivas.

Joice criticou a postura e comparou ao posicionamento de Sergio Moro que pediu que o seu depoimento de 8 horas se tornasse público para o povo brasileiro. Ela chegou a questionar o que Bolsonaro estaria temendo e quem falaria a verdade entre ele e o ex-ministro.

Vergonha

A deputada publicou um vídeo do presidente Jair Bolsonaro gritando para que jornalistas calassem suas bocas e disse ter vergonha de o ter apoiado.

"Muitos me criticam aqui nas redes por "eu ter ajudado a eleger um monstro". Peço desculpas a todos. Tinha a esperança de ter encontrado um líder de verdade. Mas o que temos é só isso ai", afirmou Joice Hasselmann. A deputada ainda compartilhou uma série de mensagens de pessoas comuns que também se diziam envergonhadas e arrependidas de terem apoiado Jair Bolsonaro.

Símbolos importados

Em seguida, Joice Hasselman criticou uma ação de divulgação feita pela Secretaria de Comunicação do Governo Federal em que o famoso Tio Sam, símbolo do nacionalismo norte-americano, aparece vestindo trajes verde e amarelo.

A deputada afirmou que este seria um sinal de que o presidente da República estaria buscando personificar em si o símbolo de nacionalismo mais famoso do mundo.

Bloqueio de CPI

Joice Hasselmann ainda acusou o presidente Bolsonaro de lotear o Governo Federal ao "Centrão"(grupo de partidos que não possuem bases ideológicas muito firmes e costumam sempre apoiarem os chefes do executivo) para barrar a CPI da Polícia Federal.

A comissão tinha exatamente como objetivo a investigação das acusações feitas por Sergio Moro de que o presidente Jair Bolsonaro teria buscado intervir na Polícia Federal ao longo do seu governo.

Efeitos na PF

Em seguida, Joice Hasselmann argumentou, que apesar das afirmações do presidente Jair Bolsonaro de que ele não teria buscado interferir na Polícia Federal mesmo sem o consentimento do seu ministro da Justiça à época, Sergio Moro. "O presidente trocou o ministro da Justiça para trocar o diretor-geral da PF que poucas horas após assumir o cargo removeu o superintendente da PF no Rio!", afirmou Joice".

Ela ainda fez questão de voltar a perguntar ao presidente do que ele teria medo para agir deste modo em relação a Polícia Federal.

Ela ainda cobrou que a reunião que o presidente Jair Bolsonaro teve com Sergio Moro no dia 22 de abril fosse tornada pública. Joice disse que a reunião que teria contado com a presença de outros ministros como o general Augusto Heleno teria sido gravada.

"O PR disse que se não pudesse trocar o superintendente do Rio, trocaria o diretor-geral da PF e o ministro da Justiça", concluiu a deputada.