O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), ao anunciar a ButanVac, aquele que pode vir a ser o primeiro imunizante contra a covid-19 totalmente fabricado com insumos do Brasil, se referiu à novidade como sendo: “Uma vacina 100% brasileira”. Porém João Doria não comentou que a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan com “concepção de tecnologia” sem cobrança de royalties, foi realizada por um consórcio internacional. As informações são do jornal El País Brasil.

A explicação sobre a colaboração estrangeira no desenvolvimento da ButanVac entretanto, só foi dada pelo Instituto Butantan após reportagem do jornal A Folha de S.

Paulo mostrar que a técnica utilizada pelo instituto de São Paulo teve origem na Escola de Medicina Icahn do Instituto Mount Sinai, dos Estados Unidos.

Autorização

O Instituto Butantan fez o anúncio de que iria pedir na última sexta-feira (26) autorização à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para dar início às fases 1 e 2 dos testes clínicos (testes com seres humanos), nesses testes irão ser avaliadas a segurança e a capacidade de promoção de resposta imune com 1.800 voluntários.

Guerra das vacinas

Segundo informações do jornal EL Pais, o anúncio do novo imunizante feito pelo governador do maior estado do Brasil foi o suficiente para dar início a mais um episódio do uso político das vacinas no Brasil em que o tucano e o presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido) estão buscando o protagonismo.

Poucas horas após a divulgação da BuntanVac, dois ministros do Governo federal, em Brasília, fizeram o anúncio de outro imunizante contra a covid-19, criado em colaboração com a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da USP. O governo federal já havia feito o pedido à Anvisa para liberar o imunizante para passar para as fases 1 e 2 na última quinta-feira (25).

Marcos Pontes, o ministro da Ciência e Tecnologia, negou que o anúncio do imunizante do governo tenha sido para disputar com o anúncio do rival político de Jair Bolsonaro, tanto João Doria quanto o ocupante do Palácio da Alvorada estão de olho nas eleições presidenciais de 2022. A vacina do governo federal foi anunciada sem que fossem reveladas informações mais detalhadas sobre a pesquisa.

Uso político

Segundo informações do jornal EL País, a corrida de anúncios de imunizantes fabricados no Brasil está sendo marcada pela omissão de informações e a falta de detalhamento no processo de elaboração das vacinas, o que comprova o açodamento político que marca a gestão da pandemia no Brasil em um momento que já foram perdidas mais de 307 mil pessoas no país e com apenas 6% da população imunizada.

ButanVac

O presidente do Butantan, Dimas Covas, declarou que a vacina que será produzida no instituto começou a ser desenvolvida no ano passado. A vacina foi enviada à Índia para que fossem realizados testes em animais e, de acordo com Covas, apresentou resultados “excelentes”.

Desde então, houve um grande esforço de toda a equipe, disse Covas sem falar sobre a pesquisa do Instituto Mont Sinai, dos Estados Unidos.

O Buntantan divulgou nota depois que foi publicada a reportagem da Folha em que afirmava que o instituto de pesquisa estadunidense não havia dado autorização para divulgar o nome da instituição em notas oficiais sobre a nova vacina, dizia a nota do Butantan.

Vacina do governo

Marcos Pontes declarou que os estudos para a vacina estão sendo financiados por seu próprio ministério depois de terem sido iniciadas negociações com parcerias que tiveram início no mês de outubro. Pontes não soube dizer qual é o nome da vacina, posteriormente o governo federal e a Anvisa comunicou que o nome do imunizante é Versamune-CoV-2F, ainda de acordo com o ministro, não foi marcada ainda uma data para o início dos testes clínicos e nem da aplicação.

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