Boas iniciativas surgem de lugares tão inesperados que é preciso separar – infelizmente – a verdade da mentira. A fábrica de bebidas e gigante do setor Ambev anunciou nesta semana que irá produzir álcool gel para os hospitais públicos de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. A decisão está baseada na quantidade de casos e mortes provocadas pelo coronavírus e também pela ausência/falta do produto higienizante no comércio e nas farmácias.

Entretanto, a Ambev não divulgou a partir de quando o álcool gel estará nas prateleiras e salas de tratamento dos hospitais. Por uma questão de custo em sua linha de produção e até de praticidade, a empresa disse que adotará o modelo de garrafa “pet” para embalar o álcool gel.

Pega na mentira

Uma mensagem circula nas redes sociais e no WhatsApp, cujo conteúdo afirma que a Ambev vai distribuir, de forma gratuita, as garrafas à população. Para isso, seria necessário preencher um cadastro com suas informações pessoais e, após esta fase, retirá-las em algum lugar não especificado. Tudo estaria bem até aqui, não é mesmo? O problema reside no oportunismo deste “gesto filantrópico e desprendido”. Simplesmente é falso. Pertence ao universo das “fake news”.

A própria Ambev usou suas redes sociais e seu portal oficial para desmentir e alertar os consumidores de que não forneçam, preencham ou digitem suas informações pessoais por se tratar de um golpe, de um roubo de dados arquitetados por indivíduos de má fé.

Ela continuou sua notificação, dizendo à população para que procure informações confiáveis somente no canal virtual e oficial de comunicação da Ambev.

A parte verdadeira e alegre deste tema é que a Ambev já está em produção de 500 mil unidades de álcool gel a ser direcionada 100% aos hospitais públicos.

A ideia da cervejaria é realizar uma logística (já aprovada) com abastecimento de 5.000 garrafas a serem entregues aos hospitais públicos.

Outra reconhecida entidade vítima das notícias falsas é o Hospital Israelita Albert Einstein, localizada em região nobre da cidade de São Paulo. Ela divulgou nota pedindo para que as pessoas não acreditem em mensagens veiculadas no WhatsApp, originadas de supostos coletores de exame credenciados pelo hospital.

A real intenção desses “coletores” é a prática de assaltos nas residências.

Belo exemplo

Em consulta a diversos portais, é evidente que o Brasil não só teme o alastramento da pandemia de coronavírus, como o problema da falta de álcool gel afeta diversos estados: Tocantins, Bahia, Espírito Santo, São Paulo, etc.

Inesperadamente, a Justiça de Mato Grosso do Sul liberou recursos para que os presidiários confinados no Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho obtenham material preventivo, como máscaras e luvas. Localizado próximo da capital, Campo Grande, a Justiça de lá também comunicou que os presos vão trabalhar na fabricação de álcool gel. A fim de assegurar a qualidade do produto, técnicos da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul acompanharão todo o processo desenvolvido dentro dos muros altos da prisão.

A intenção é que o total fabricado no presídio de segurança máxima seja revertido e distribuído para outros estabelecimentos penais de Campo Grande.

De acordo com decisão despachada pelo Juiz Albino Coimbra Neto, a liberação de verbas é cabível porque a pandemia se torna relevante para a manutenção da Saúde pública. Ele vai além, explicando que a aglomeração dos detentos no sistema prisional facilita a propagação do vírus, elegendo-os como um grupo vulnerável. Coimbra menciona a Resolução nº 62 do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), a qual prevê ações de combate ou de mitigação do Covid-19 nos presídios.

Solução caseira funciona?

A grande oferta e a escassez do álcool gel pelo Brasil tem feito com que certas pessoas busquem fórmulas caseiras, como uma resposta definitiva e alternativa em relação ao coronavírus.

Mas, especialistas das áreas médica e química acham que é um equívoco fabricar o próprio álcool gel sem conhecimento ou técnica consagrada.

Itens como vinagre e gelatina não são efetivos e a manipulação indiscriminada e descuidada do álcool gel é perigosa, podendo causar infecções, alergias, irritações nas mucosas e erupções na pele. Quando usado em grande quantidade, torna-se necessário alertar de que o álcool é inflamável e que pode acarretar queimaduras nas pessoas e incêndio dentro de casa.

Outro produto lembrado pela população é a água sanitária; de acordo com o Conselho Regional de Farmácia (CRF), ela só limpa a superfície das mãos. Antissépticos com concentração de iodo podem agredir a pele da região em questão.

Segundo o CRF, na ausência do álcool gel, o consumidor possui a opção de comprar lenços umedecidos com antisséptico, já que combatem o vírus e não faz mal para a pele.

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