Na tarde desta sexta-feira (25), o presidente do Brasil Jair Bolsonaro fez um pronunciamento ao vivo para esclarecer a exoneração do ex-dirigente geral da PF e do agora ex Ministro da Segurança, Sérgio Moro. Bolsonaro, porém caiu em contradição, inúmeras vezes ao longo do seu discurso, gerando polêmica, piadas e desconfiança. Ao negar o fato informado por Moro de ter interferido nas investigações da Polícia Federal, Bolsonaro citou pelo menos três ocasiões onde ele agiu junto à instituição. O presidente alegou ter obtido informação de privilégio sobre investigações do caso do assassinato da vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson, e também que pediu que os trabalhos da PF fossem direcionados em casos específicos.

Bolsonaro envolve nome de Marielle Franco

Ao dizer que não teve interferência nas investigações da PF, motivo alegado pelo ex-juiz da lava jato Moro para deixar o cargo de Ministro da Justiça na manhã de sexta, Bolsonaro se entrou em contradição. Em seu pronunciamento realizado a partir das 17h para todo o Brasil, o chefe de estado afirmou que obteve um acesso a algumas informações secretas sobre o caso da morte Marielle e Anderson, e que decidiu por insistir início das investigações sobre o atentado contra ele em setembro de 2018, ano em que foi eleito.

“Será que é interferir na investigação da PF pedir, quase insistir, via o ministro da justiça, para que fosse investigado o caso Marielle Franco, no caso do porteiro da minha residência?”, questionou Bolsonaro.

Ainda em sua fala, o presidente alegou que “suplicou” para que Sergio Moro ordenasse que a Polícia Federal investigasse mais ainda sobre o porteiro do condomínio, Vivendas, localizado na Barra. Jair Bolsonaro alegou que o porteiro em questão foi subordinado para se posicionar sobre um ocorrido antigo envolvendo a história de um familiar.

Ainda em seu discurso, Bolsonarou admitiu que pediu à Polícia Federal que fosse a fundo na investigação do atentado sofrido durante a corrida presidencial de 2018. O presidente alegou que essa investigação seria mais simples do que a do caso de Marielle e Abderson, pois o seu agressor foi preso no ato.

Porém, mesmo assim, o caso não avançou, consistindo no que Bolsonaro considerou um afrontamento ao “chefe supremo” do Brasil.

Em setembro de 2019, a Polícia Federal concluiu que Adélio, homem que esfaqueou Bolsonaro, agiu por conta própria. Um processo foi reaberto na terceira Vara Federal de Juiz de Fora, Minas Gerais. Na sentença, divulgado em 27 de maio de 2019, o juiz Bruno Savino confirmou que Adélio possui um Transtorno Delirante Persistente, e que por isso seria inimputável. Jair Bolsonaro e o Ministério Público Federal decidiram não recorrer à decisão, e o caso foi encerrado.

Moro mostra conversa com Bolsonaro no JN

Na noite desta sexta, para comprovar que Bolsonaro tentou ter interferência nas investigações da Polícia Federal, Sergio Moro enviou para o JN, da Globo, uma troca de mensagens por Whatsapp entre ele e Jair.

Segundo mensagens de texto exibidas no programa, o presidente perguntou o ex-ministro sobre investigação aberta referente a “12 ou 10 deputados apoiadores”, ao lhe enviar uma matéria do site O Antagonista.

“Esse é outro fato para analisar a troca [do chefe geral da Polícia Federal]”, escreveu Jair Messias Bolsonaro.

Na foto exibida pelo "Jornal Nacional", Sergio Moro aparece respondendo que as investigações não partem da PF.

Bolsonaro ainda não se posicionou sobre isso, nem deu sua versão ao "Jornal Nacional".

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