Grandes incêndios têm preocupado a população da região Norte do país, em especial moradores de Rondônia que, desde o dia 15 de agosto, veem o céu amanhecer repleto de fumaça. Na sexta-feira (16), um avião da Latam que ia de Brasília a Porto Velho teve de desviar sua rota devido à falta de visibilidade, pousando em Manaus.

De acordo com o corpo de bombeiros da capital rondonense, foram atendidas mais de 210 ocorrências entre os dias 6 e 16 de agosto.

Na quarta-feira (14), dois corpos foram encontrados abraçados no Assentamento Galo Velho, a aproximadamente 350 km de Porto Velho. No dia anterior, moradores do local abandonaram suas casas diante da ameaça do fogo que se aproximava e deram falta de um casal que vivia no assentamento. Ao retornarem, encontraram os dois abraçados e carbonizados. As causas do incêndio ainda estão sendo investigadas pela polícia.

Nas redes sociais, diversos moradores da região têm compartilhado fotografias em que é possível ver a fumaça que toma Porto Velho. As pessoas relatam dificuldade para respirar, além dos problemas de visibilidade que afetam principalmente quem está no trânsito, podendo levar a diversos acidentes.

No domingo (18), um incêndio registrado em área de mata localizada no bairro Nacional, na zona norte de Porto Velho, chegou muito próximo às residências, mesmo depois de ser controlado pela Brigada Municipal.

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Além do resfriamento pelos bombeiros, moradores também usaram mangueiras e baldes para tentar impedir o fogo de tomar suas casas.

Acredita-se que o incêndio tenha iniciado em um local onde o lixo costuma ser descartado. Apesar do tempo extremamente seco e das queimadas, alguns indivíduos continuam a atear fogo em seu lixo ou em áreas de pasto.

Fazendeiros no Pará anunciaram 'dia do fogo'

O jornal Folha do Progresso denunciou no dia 5 de agosto que fazendeiros no sul do Pará planejavam realizar o "dia do fogo" no dia 10.

O objetivo dos produtores rurais era chamar a atenção do Governo federal para que obtivessem apoio, estimulados pelo discurso de Bolsonaro de incentivar as plantações na região amazônica. Um dos líderes do movimento declarou ao jornal que atear fogo em áreas desmatadas é uma forma de limpar o pasto e de mostrar para o presidente que "querem trabalhar".

Segundo a Folha de S.Paulo, os registros do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) revelaram um aumento de 300% de focos de queimada no sábado (10), na cidade Novo Progresso, em comparação ao dia anterior.

No domingo (11), os registros aumentaram de 124 focos de incêndio para 203. As nuvens de fumaça tomaram a cidade de Novo Progresso.

Ainda segundo a Folha, na cidade de Altamira, próximo à BR-163, registrou 194 casos no sábado e 237 no domingo. As imagens de satélite divulgadas pelo Inpe mostram que a maioria desses incêndios se concentram ao redor da rodovia.

Secas se agravam na região Norte

O desmatamento da Amazônia tem aumentado rapidamente em 2019.

Após declarar que considerava mentirosos os dados publicados pelo Inpe em relação ao desflorestamento, comparando os meses de junho e julho de 2018 com o deste ano, Jair Bolsonaro acabou por exonerar Ricardo Galvão, cientista que comandava o Instituto.

Apesar da descrença do presidente, pesquisas realizadas por outros órgãos e monitoramentos de cientistas demonstram que não só o desflorestamento amazônico tem atingido níveis recordes como também as consequências disso já têm afetado alguns estados.

Um estudo de 2017, realizado por Paulo Artaxo, do Instituto de Física da USP, em parceria com Jeffrey Q. Chambers, da Universidade da Califórnia, analisou dados sobre o regime de chuvas de Rondônia ao longo de 20 anos. O estado, que já teve mais de 50% da sua área de floresta desmatada, enfrenta a redução do número de precipitações e, consequentemente, da umidade do ar, o que explica o atual período de seca prolongada.

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