Os seres humanos já se acostumaram com as ameaças decorrentes do aquecimento global, das consequências do aumento do nível do mar e das repentinas tempestades, furacões e tornados que assolam cidades e regiões do mundo. Porém, agora, o olhar de preocupação, antes concentrado no ar e nas águas, tem que se voltar para baixo. Mais precisamente para a terra.

Sim, existe um novo perigo rondando nossos pés pois, de acordo com um estudo publicado na revista “Advances”, da União Geofísica Americana (AGU), as grandes cidades, metrópoles e megalópoles estão causando um sobrepeso no chão terrestre, a ponto de começar a comprometer seu nível de suportação.

Sem chão?

Autor desse estudo inusitado, o geofísico Tom Parsons elaborou um estudo de caso tendo como objeto central a cidade de São Francisco, na Califórnia. Ele queria provar que tantas construções e adensamento de pessoas contribuem para o afundamento do próprio solo onde vivem, visto que o peso combinado de ambos faria com que o solo cedesse.

Se isto realmente for verdadeiro, além de se levar em conta a elevação do nível dos mares (causada pelas mudanças no clima), a pressão sobre o solo retrataria um cenário dramático para as grandes cidades litorâneas: elas seriam as mais vulneráveis ao lento processo de invasão dos fenômenos da Natureza.

Na sua pesquisa, Tom Parsons estimou que, ao longo do progresso que São Francisco experimentou nas últimas décadas, o chão afundou cerca 80 milímetros (ou 8,0 cm).

Ao combinar a perspectiva vinda dos mares, a baía de São Francisco sofreria uma subida de 300 milímetros em 2050. Somando-se estes números, é de se pensar seriamente acerca desta constatação perturbadora.

Esta perturbação é amplificada porque o estudo não leva em conta o peso dos habitantes, veículos e infraestrutura. É que o cálculo efetuado abrangeu todos os edifícios da cidade californiana e se chegou ao resultado de 1,6 trilhão de quilos, excluindo a massa corpórea dos 7,75 milhões de moradores de São Francisco.

Aqui, lá e em qualquer lugar

O geofísico opina que só o peso das construções seria o suficiente para causar impacto na litosfera da Terra ou aumentar falhas geológicas existentes. Perguntado se o resultado da pesquisa poderia ser aplicado em outras localidades do mundo, Tom Parsons afirma que qualquer cidade litorânea pode se encaixar no panorama que apontou.

De modo técnico, ele respondeu que “os efeitos da carga antropogênica nas margens continentais tectonicamente ativas são provavelmente maiores do que nos interiores continentais mais estáveis, onde a litosfera tende a ser mais espessa e rígida”.

Quando acontece aumento de peso em determinadas áreas, a consequência imediata é a subsidência – afundamento gradual e crescente da superfície do solo da Terra – sendo sentido, de acordo com a conclusão do geofísico americano, nas áreas urbanas.

Colocando-se a variável ser humano nessa situação, é bem possível que, em 2050, 70% da população mundial esteja morando nos grandes centros. Caso a tendência se realize, já que o fluxo migratório do campo para o litoral é desproporcional e descontrolado, ocorrerá a conjugação desastrosa entre o afundamento do chão com a elevação das águas do mar – já explicado anteriormente.

Assim, o primeiro sintoma visível nas cidades costeiras serão as inundações, atingindo áreas maiores.

Parsons sugere o monitoramento e a análise de dados das regiões mais vulneráveis, por meio de fotos de satélite e publicação de novas pesquisas sobre o assunto, sendo ambos utilizados como base para a criação e desenvolvimento de planos de contingências.

Geograficamente, o fenômeno combinado entre subsidência e invasão das águas deverá ser mais drástico na África e no Sul da Ásia. Mas frise-se: o fenômeno de migração das massas humanas para a costa é previsto para todas as regiões do planeta. Portanto, olhos bem abertos e pés bem fincados!

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