Vários voluntários decidiram ajudar o Corpo de Bombeiros a tentar salvar vidas após o rompimento da barragem da mineradora Vale em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte. Conforme relatos de alguns deles à BBC Brasil, a situação era de muito horror, com crianças chorando, gritos de desespero e corpos afundados na lama. Segundo um dos voluntários, a cobertura dada pelas emissora de Televisão ao caso "faz parecer com que o trabalho do resgate é bonito".

A professora Silvânia Fonseca Moraes voltava do velório de um parente quando soube da notícia sobre o rompimento da barragem, na sexta-feira (25).

Estando a 16 quilômetros de distância do local, ela decidiu pegar o seu jipe e ir ajudar. Brigadista voluntária, Silvânia tinha um pouco de experiência já que auxiliou combates a incêndios florestais. No entanto, nunca havia ajudado em resgates. Segundo ela, em Brumadinho ela viveu situações traumatizantes.

Em depoimento à BBC Brasil, ela afirma ter vivenciado cenas de terror por onde passava. Ela auxiliou bombeiros na região da mata já que tinha experiência como brigadista voluntária. Contudo, ela só pediu para eles que evitassem ao máximo que ela pudesse estar diante de um corpo.

"Não tenho estrutura para ver corpos", disse.

Gritos de desespero

O socorrista Diego Dias também se colocou à disposição dos bombeiros para ajudar no resgate. Ele passou visitando vilarejos e auxiliando as pessoas a saírem do local em decorrência do perigo de uma nova barragem estourar. Muitos insistiram em ficar, e a Polícia teve que ser acionada. Segundo Diego, tinham muitos idosos que nem sabiam direito o que estava acontecendo.

Nas margens da lama, corpos eram encontrados. Ele falou que nesse momento o helicóptero era acionado para retirá-los, já que era impossível pisar na lama, pois os pés afundavam. Infelizmente, a equipe que estava junto com Diego não encontrou nenhum sobrevivente.

Situações desesperadoras

Diego disse ainda que muitas pessoas vinham até eles pedir informações de parentes que ainda estavam desaparecidos.

Ele falou que a equipe não tinha respostas.

"A televisão mostra imagens que faz parecer com que o trabalho do resgate é bonito. Mas, no local, presenciando pessoas gritando, crianças chorando, postes pegando fogo e barro descendo. É uma coisa muito forte. Foi chocante. Não tenho como explicar", disse Diego à BBC Brasil.

O fotógrafo Marcos Dâmaso também foi ajudar a salvar vidas. Direcionado por um bombeiro, eles andaram numa região que tinha uma linha de trem. A destruição, segundo ele, era enorme e o rio Paraopeba estava contaminado pelos rejeitos. Além disso, Marcos relatou que viu carros tombados e pedaços de casas por todos os lados.

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