No último dia 19 de fevereiro, o empresário Crispim Terral, 34 anos, passou por um triste episódio em uma agência da Caixa Econômica Federal em Salvador (BA). No entanto, o acontecimento só veio a público nesta terça-feira (26), depois que as imagens e um relato pessoal sobre o caso foi publicado nas redes sociais.

O homem é proprietário da Farmácia Terral, em Salinas da Margarida, no Recôncavo baiano.

De acordo com Crispim, o tumulto começou depois que um dos gerentes do banco o deixou esperando por atendimento por quase cinco horas. O empresário acredita que a forma como foi tratada se deve "claramente" a "preconceito racial". Ele conta que foi humilhado na agência e teve o atendimento negado por dois gerentes, o que o deixou muito irritado, e nesse momento um dos funcionários chamou a Polícia Militar.

No vídeo compartilhado nas redes sociais é possível entender que um dos policiais que está atendendo a ocorrência sugere que todos sejam encaminhados à delegacia para prestarem esclarecimentos, no entanto, o gerente se nega a ir para a delegacia se Crispim não fosse algemado e em uma das falas ele diz que não faz acordo com "esse tipo de gente". O empresário estava acompanhado de sua filha de 15 anos, que presenciou toda a humilhação sofrida pelo pai.

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Polícia

Relato de Crispim

Em seu relato, Crispim conta os motivos que o levaram à Caixa Federal no dia 19 de fevereiro e o que aconteceu durante o seu atendimento. Ele explica que tanto o gerente responsável pela sua conta como o gerente-geral da agência lhe trataram de maneira ríspida e sem demonstrar interesse em ajudá-lo. Irritado com o desrespeito e pelo mau atendimento recebido, Crispim conta que exigiu que o seu caso fosse resolvido, mas escutou do gerente-geral que saísse de sua mesa ou chamaria a polícia.

Com a chegada da polícia, o empresário conta que inicialmente foi tratado com educação pelos dois policiais que pediram que todos se dirigissem, mas que o gerente continuou o seu tratamento ríspido dizendo que só iria para a delegacia se Crispim fosse encaminhado algemado. Ele encerra o depoimento com o vídeo (que pode ser visto ao final deste artigo) que mostra o momento "terrível e absurdo" vivido por ele e sua filha.

Grupo realiza protesto em favor de Crispim

Na tarde desta terça-feira (26), 100 manifestantes foram até a Caixa Econômica Federal do Relógio de São Pedro, na avenida Sete de Setembro, centro de Salvador. O grupo cobrava uma resposta em relação à violência sofrida por Crispim dentro da agência na semana passada. Ele participou da manifestação e acusa a Caixa e a PM de crime de racismo.

O ato foi organizado pela internet em duas horas, segundo informações passadas pelo militante Hamilton Oliveira, o DJ Branco, líder do CMA hip hop.

O manisfesto durou aproximadamente uma hora e contou com a presença de representantes do movimento e negro.

O presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil - Secção Bahia (OAB-BA), Jerônimo Mesquita disse ao Correio 24 Horas que repudiava a maneira como o gerente se comportou e também o excesso de violência por parte da Polícia Militar. Já o Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) informou que irá apurar a denúncia de racismo.

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