Foram presas seis pessoas neste quarta-feira (13) por suspeita de fazerem parte de uma quadrilha de exploração de jovens transexuais em Ribeirão Preto (SP). Outras quatro pessoas são consideradas foragidas. Outros 18 mandatos de busca e apreensão foram cumpridos na cidade.

A operação que investiga a quadrilha foi chamada de Operação Cinderela. A força tarefa responsável é composta de equipes do Ministério Publico do Trabalho (MPT), Policia Federal (PF), Ministério Público Federal (MPF) e Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo (Detrae).

Um dos alvos da operação já estava preso por outro processo criminal, segundo o Ministério Publico do Trabalho, em que está sendo investigado por dois homicídios e pelo desaparecimento de três transexuais, entre elas uma adolescente.

Os mandatos cumpridos ocorreram em vários bairros da cidade, e as vítimas resgatadas na operação foram conduzidas em um micro-ônibus para prestarem depoimento na delegacia.

A Policia Federal divulgou que as investigações tiveram início a partir de duas vítimas que conseguiram fugir do local onde eram forçadas a se prostituir. As vítimas eram naturais de estados do Norte e Nordeste do país. A quadrilha prometia procedimentos estéticos para as transexuais, a fim de atrair elas para Ribeirão Preto, onde elas ofereciam alimentação e hospedagem para se manterem. Quando as vítimas chegavam a Ribeirão Preto já estavam endividadas por terem gasto dinheiro com passagens e outras despesas de viagem.

Foi informado pela policia ainda que as transexuais eram forçadas a consumir drogas e se prostituírem para pagar as dívidas dos procedimentos ilegais realizados pelos criminosos da quadrilha.

A Polícia ainda não divulgou uma lista com o nome dos acusados da formação de quadrilha. Segundo a PF, as transexuais, que não conseguiam pagar suas dívidas ou não respeitavam as regras, acabam sendo julgadas de forma violenta por uma espécie de tribunal formado pelos criminosos, no qual eram punidas com castigos físicos e até multas, que recolhiam os pertences das vítimas, além de castigos físicos com pedaços de madeira e outros objetos que pudessem ferir as transexuais, a fim de cobrar que obedecessem às regras.

Os acusados irão responder pelos crimes de tráfico de pessoas, exercício ilegal da medicina, em decorrência dos procedimentos estéticos “vendidos” às transexuais, organização criminosa e rufianismo (obtenção de lucro com a prostituição alheia). As penas podem somar mais de 34 anos de prisão.

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