O subsecretário da Vigilância em Saúde do Governo de Minas Gerais, Dario Ramalho, admitiu, em coletiva de imprensa realizada pela Secretaria de Saúde, na terça-feira (26), que há subnotificação do número de contaminações por coronavírus no estado. A estimativa do órgão é de que existam 10 casos assintomáticos para cada pessoa oficialmente notificada como tendo desenvolvido a covid-19.

A declaração foi feita em entrevista coletiva para atualizar a situação do estado diante da pandemia. Na segunda-feira (25), o jornal Estado de Minas publicou uma matéria alertando para o grande aumento de doentes e de mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), levantando a hipótese de parte deles serem casos não notificados de covid-19.

Ao analisar os dados disponibilizados pelo Ministério da Saúde e da Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), a equipe do Estado de Minas detectou um aumento de 691% nos casos registrados de SRAG em 2020, que já contabiliza 8.099 doentes, em comparação aos 1.024 casos referentes ao mesmo período no ano passado. Além disso, as mortes provocadas por SRAG aumentaram em 838%, subindo de 116 registros em 2019 para 1.088 este ano.

Uma pesquisa cujos resultados prévios foram publicados no repositório de artigos acadêmicos na área de medicina, medRxiv, na segunda corrobora as suspeitas levantadas pela reportagem. Realizado por cientistas da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), coordenados pelo professor Stefan Vilges de Oliveira, da Faculdade de Medicina, o estudo detectou um aumento de 648,61% no índice de mortes registradas por SRAG em Minas.

Além disso, houve aumento de 5,36% em mortes por pneumonia e de 5,72% por insuficiência respiratória.

Tanto a Síndrome Respiratória Aguda Grave como a pneumonia e a insuficiência respiratória são quadros clínicos que podem ser causados pela covid-19. De acordo com Stefan Oliveira, a ausência de diagnóstico laboratorial da doença provocada pelo coronavírus, devido à falta de testes para detectar a presença do vírus.

Estudo da UFMG também indica subnotificação

Um estudo divulgado em 12 de maio, realizado pelo professor Leonardo Costa Ribeiro, da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em parceria com o professor Américo Tristão Bernardes, do Departamento de Física da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), indica que, para caso de covid-19 oficialmente notificado no estado, deve haver, na verdade, 16,5 infectados.

A nível nacional, o estudo aponta a existência de 3,8 pessoas contaminadas pelo coronavírus para cada caso notificado. De acordo com a primeira edição da pesquisa, publicada em abril, havia, no Brasil, um número 7,7 vezes maior de infecções do que o índice oficialmente registrado. O estudo foi baseado na evolução das internações por SRAG a cada ano, desde 2012.

A diminuição nas subnotificações provavelmente se deu pelo aumento nas testagens. Em abril, eram feitos apenas 296 testes por milhão de habitantes; na primeira quinzena de maio, foram realizados 1.597 testes por milhão. O estado de Minas Gerais, contudo, permanece sendo o que menos testa no país, fazendo somente 476 por milhão de habitantes.

Segundo o professor Ribeiro, no Amazonas e no Distrito Federal, por exemplo, o índice é de 1.600 testes por milhão.

O subsecretário da Vigilância em Saúde informou que foram enviados mais de 550 mil testes rápidos pelo Ministério da Saúde, os quais foram distribuídos pela SES aos municípios mineiros e que serão usados principalmente na testagem de profissionais de saúde e de segurança pública que apresentem sintomas de infecção pelo coronavírus.

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