Segundo informações do portal G1, na manhã desta sexta-feira (21) ocorreu uma operação do Ministério Público de Goiás, denominada de "Vendilhões", que investiga a suspeita de lavagem de dinheiro e outros crimes financeiros na Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe). O Ministério Público de Goiás pediu a prisão do padre Robson Pereira, o qual atua como reitor da entidade.

Em nota sobre o ocorrido, a assessoria jurídica da Afipe afirmou que a operação não causou surpresa entre os colaboradores da instituição, ressaltando que no ano de 2019 a entidade se prontificou a colaborar com as investigações do Ministério Público sobre as suspeitas de irregularidades.

MP alega que padre Robson se apropriou de bens da Afipe

Segundo o MP, Robson é responsável por administrar R$ 20 milhões por mês. Parte deste capital vinha das doações dos fiéis. No entanto, o MP afirma que parte deste capital estava sendo desviado em benefício de outras pessoas. Durante as investigações também constatou-se que a entidade movimentou em torno de R$ 2 bilhões nos últimos 10 anos.

O MP também alega que nos anos de 2017 a 2020 houve desvio de R$ 120 milhões da Afipe para empresas e terceiros. Também destacou-se que a transferência destes valores não estava ligada a práticas religiosas, ressaltando que parte destes valores era utilizado na compra de fazendas, imóveis ou investidos na compra de emissoras de rádio ou TV.

Crimes investigados

Ainda de acordo com as investigações que ocorrem em segredo de Justiça, o padre Robson e demais denunciados estão sendo acusados pelos crimes de lavagem de dinheiro, organização criminosa, sonegação de impostos, falsificação de documentos e apropriação indébita.

Juíza indeferiu o pedido de prisão

Após analisar o caso, a juíza Placidina Pires não acolheu o pedido de prisão contra o religioso.

Segundo a magistrada, por se tratar de um líder religioso, o padre Robson não oferece risco à sociedade e às testemunhas do processo. Pires também explicou que apesar da prática de crimes fiscais graves ainda não são determinantes para a detenção de Robson. Após negar o pedido de prisão do religioso, a juíza também determinou que ele continue na função do cargo diretivo da Afipe.

Após a decisão judicial, o MP de Goiás afirmou que pretende recorrer da decisão de Placidina Pires.

Segundo o MP, a operação se originou após uma investigação envolvendo o religioso, que foi vítima de extorsão e "utilizou indevidamente recursos provenientes de contas das associações que preside". Ainda de acordo com a investigação, um hacker foi preso acusado de extorquir R$ 2 milhões do religioso após ameaçar vazar para a imprensa um suposto relacionamento amoroso de Robson.

A investigação concluiu que Robson foi extorquido entre os meses de março a abril de 2017 e que os valores gastos para pagar a extorsão eram oriundos das contas da Afipe. Na época foram desviados em torno de R$ 50 mil a R$ 700 mil para bancar as extorsões.

Em algumas ocasiões, parte deste valor era colocado dentro de um carro estacionado na frente de um condomínio.

Natural de Trindade, o padre Robson, de 46 anos, costuma ser uma figura frequente da Igreja Católica. Nos últimos anos ele era o responsável por apresentar um programa com base nas reflexões de trechos da Bíblia.

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