O mundo animal pode comemorar, pelo menos em parte, a notícia de que ratos, camundongos e cobaias deixarão de sofrer ou de serem vítimas de experiências científicas nos laboratórios. Centro de muitos embates, controvérsias e protestos promovidos pelas organizações/sociedades de proteção aos bichos, parece que essa guerra terá um final feliz gradativo. Ou senão, definitivo para os próximos meses ou anos.

A razão dos roedores para tanta felicidade está na inauguração do primeiro laboratório de bioengenharia de tecidos do Brasil. Situado na Cidade Universitária da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), este local servirá de base para pesquisas que utilizem pele humana como o principal material de testes de produtos.

Maior órgão do corpo humano, a pele produzida pelo estabelecimento científico será empregada com a intenção da diminuição ou substituição completa do uso de Animais como cobaias e camundongos.

Como funciona

O raciocínio é até simples: a quantidade de pele extraída das cirurgias plásticas feitas em humanos se transforma em excesso, já que o paciente deseja um rejuvenescimento ou retirada de pele que o incomoda. Essa pele “indesejada” vai para o laboratório do campus de Fundão (da UFRJ) que o recebe como doação das clínicas. Nessa etapa, o laboratório faz a extração dos queratinócitos, os quais são células que compõem a pele.

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Estas células são cultivadas em placas de cultura, tendo contato com o ar. Após um ciclo aproximado de 17 dias, os queratinócitos se multiplicam, originando várias camadas de pele, prontas para serem usadas em experiências.

Apesar de se localizar em uma área pública, o laboratório terá direção e gestão da Episkin, um braço da multinacional francesa L´Oréal.

Bom para todos

Se isto é bom para os animais que antes eram submetidos a procedimentos torturantes, escabrosos e bizarros, também o será para a comunidade científica.

Primeiro, por se livrar do ônus negativo em relação à imagem de cientistas cruéis e sem compaixão. Segundo, porque atende um dispositivo de ordem jurídica. Explicando melhor: o CONCEA (Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal) fixou um prazo de cinco anos para que os estudiosos da Ciência se adaptassem ao controle de uso de animais ou, mais do que isso, se comprometessem com o desaparecimento desse método, buscando outras maneiras para prosseguir seus testes e experimentos.

Este prazo terminaria em 24 de setembro próximo, mas agora há um alívio, pois foi cumprido antes do tempo, legitimando um normativo expedido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações. Nele, o respectivo Ministério concede o reconhecimento a métodos alternativos que reduzam ou retirem a aplicação de testes em animais vivos. Atualmente, o CONCEA admite 17 tipos de métodos alternativos, incluindo o teste feito sobre pele humana reconstituída.

O trabalho do Laboratório administrado pela Episkin no Brasil já ocorre há três anos. De lá para cá, mais de 5 mil tecidos de pele humana foram reprocessados e utilizados como treinamento para mais de cem cientistas do Brasil e dos países-membros do Mercosul, o que ajuda na expansão dessa boa prática para outros laboratórios voltados à pesquisa e interessados em não causar danos ou morte aos seres vivos.

A expectativa com a inauguração da nova unidade de Fundão, no Rio, é que este número dobre para 10 mil tecidos. Por sua vez e estando do outro lado da cadeia, os maiores interessados (os animais) vão poder viver mais na Natureza, assegurando sua própria existência e longevidade.

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