Após um intervalo de quase oito anos e adiamento na data de inauguração por causa do mau tempo, o Brasil possui a partir de 15/01/2020 uma estação científica das mais modernas instaladas na Antártida. Com o mesmo nome de Comandante Ferraz, militares, estudantes e cientistas terão ao seu dispor equipamentos e infraestrutura “de ponta”, dando continuidade a pesquisas ligadas ao meio ambiente.

Orçado em 100 milhões de dólares, a Base de Comandante Ferraz se localiza exatamente sobre a outra (criada em 1984), sendo vitimada por um incêndio em 2012, matando duas pessoas.

Ambas situam-se na Ilha George, pertencente ao arquipélago de Shetland do Sul.

Com a presença do vice-presidente do Brasil na inauguração, Hamílton Mourão, uma das maiores preocupações do novo projeto está relacionado à segurança, já que a causa do incêndio ocorrida há oito anos foi vazamento de combustível. Quase 70% da primeira estação foi dizimada pelas chamas.

Além disso, a principal função da estação antártica está no prosseguimento dos estudos científicos nas mais diversas áreas: biologia, medicina, química e meteorologia.

Ficha

A construção do projeto foi encabeçada por uma empresa estatal da China e a base de Comandante Ferraz recebeu ampliação na sua infraestrutura. São 4.500 m² que abrangem diversos laboratórios, acomodações, área para geração de energia e tratamento de resíduos.

A demora em reerguer a estação de Comandante Ferraz deve-se às condições adversas presentes na Antártida em certos períodos do ano. Optava-se por trabalhar somente no verão, isto é, metade de cada ano.

Numa fase anterior, coube a um escritório de Curitiba efetuar entrevistas com o público frequentador da estação continental. Tanto pesquisadores quanto militares da Marinha salientaram a importância da segurança, o que mostra um certo trauma advindo da tragédia de 2012. Na nova base, implantaram-se sistemas de combate a incêndio, como extintores, saídas de emergência, sensores de fumaça, entre outros itens.

As paredes dos cômodos receberam um tipo de material que suporta a intensidade do fogo por até 3 horas.

Do ponto de vista térmico, a nova estação contemplou a resistência aos ventos, os quais podem chegar até 200 km/h em certos períodos. Outro dado interessante é que a base está suspensa em relação ao solo para evitar as grossas camadas de neve que se acumulam durante os períodos mais rigorosos do frio antártico. Quem estiver dentro da estação, desfrutará de uma temperatura mantida entre 20° C e 21° C, beneficiando os trabalhos de manutenção do complexo e aqueles que se voltam à Ciência e à pesquisa.

Como só existem duas estações definidas na Antártida –o inverno e o verão– também foram instalados equipamentos que aproveitam a força dos ventos e o calor do sol, gerando energia ao complexo.

O continente

Única região sem a presença maciça de populações, a Antártida é um continente inóspito em termos de clima, estando coberta constantemente por neve e gelo. Nela, encontram-se vários recursos minerais e uma das maiores reservas de água potável do mundo.

Um tratado assinado em 1959 na cidade de Washington (Estados Unidos) proíbe a exploração comercial e disputas militares. Sua vigência irá até 2041.

O Brasil aderiu ao tratado em 1975 com o compromisso de criar e incentivar a atividade científica.

Ontem, agora e amanhã

Logo depois do incêndio, muitos perderam suas amostras e objetos de estudo, bem como dados guardados em computadores consumidos pelo incêndio de 2012. Nesse intervalo, a pesquisa não parou, pois a Marinha brasileira colocou à disposição o navio Almirante Maximiano. Outros países como o Chile também colaboraram e dividiram parte de suas respectivas instalações para os estudantes brasileiros.

Com a inauguração da nova estação de Comandante Ferraz, o Brasil conta com a maior estrutura de pesquisa na região.

Em 2018, o Ministério da Ciência e Tecnologia abriu um edital orçado em R$ 18 milhões, visando ao financiamento de vários projetos relacionados ao Proantar (Programa Antártico Brasileiro). Essa cobertura financeira vale até 2022 e busca apoiar o estudo sobre diversos temas como a atmosfera, medicina, tecnologia, mudanças climáticas e geologia.

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