Pesquisadores do Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino (Idor) apontam sintomas persistentes em pessoas infectadas pelo novo coronavírus. Segundo matéria publicada no domingo, 5, pelo jornal O Globo, o grupo de pesquisas tem se deparado com pacientes que, mesmo após recuperados da Covid-19, continuam a sentir fadiga tanto física como mental, fraqueza muscular, dores, dificuldade de respiração e de concentração, entre outros sintomas.

Os estudos comandados pelo Idor têm como objetivo investigar possíveis sequelas neurológicas deixadas pelo novo coronavírus, principalmente em pessoas que desenvolveram a forma grave da Covid-19.

De acordo com os pesquisadores, os quadros apresentados por esses pacientes são semelhantes ao da síndrome de fadiga crônica, que normalmente acomete quem se infecta com vírus como o Epstein-Barr (também chamado de herpesvírus humano 4) ou o Sars (responsável por epidemia de Síndrome Respiratória Aguda Grave em 2003).

Gabriel de Freitas, neurologista que faz parte do grupo comandado pela Idor e atua também na Universidade Federal Fluminense (UFF), relata que os motivos pelos quais os pacientes desenvolvem esse quadro mesmo após não estarem com o vírus no organismo ainda é desconhecido. O médico conta que um grande número de mulheres jovens, com até 50 anos de idade, têm experimentado sintomas de fadiga crônica após serem consideradas recuperadas de casos leves ou moderados da Covid-19.

Esses sintomas não são detectáveis por exame de sangue ou de imagem.

Segundo Freitas, é possível aliviar as dores e a fadiga com medicamentos antivirais ou mesmo com antidepressivos e estimulantes, e que esses sintomas devem desaparecer em médio prazo, dentro de alguns meses.

Coronavírus pode causar delírio e outros sintomas neurológicos

Além da chamada "síndrome pós-Covid-19", outros efeitos do novo coronavírus no cérebro têm sido registrados por médicos em todo o mundo.

Em artigo publicado em abril no periódico Trends in Neurosciences, neurocientistas do Idor em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e com a Queen's University, do Canadá, sugerem que o novo coronavírus pode afetar o sistema nervoso central a longo prazo, prejudicando o funcionamento do cérebro.

Um estudo realizado em Wuhan, na China, onde a pandemia teve início, revelou que 36% das pessoas infectadas pelo vírus chegavam a desenvolver problemas neurológicos.

Além da perda de paladar e olfato, pacientes acometidos pela Covid-19 podem apresentar desde sintomas leves, como sensação de formigamento ou dormência, dores de cabeça, agitação, até efeitos graves, como confusão mental, convulsões ou derrame.

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