Que é lamentável a perda aproximada de trezentos elefantes no sul da África e não se tem como escapar disso, é sabido por cientistas e defensores da vida animal. Irrecuperável a morte deles também.

Agora, neste mês de setembro, saiu a conclusão do que teria motivado a matança sem crueldade aparente, mas decisiva na já pequena e combalida população de elefantes.

Os cerca de 300 elefantes encontrados mortos em Botsuana, país encravado no sul da África e circundado por Namíbia e África do Sul, foram contaminados por um tipo de bactéria denominada cianobactéria, a qual produz neurotoxinas.

O relato veio do próprio governo de Botsuana: nele, o conteúdo discorre sobre a presença desta bactéria nos lagos e pontos de água dos quais se servem os elefantes.

Com a alta concentração destes microorganismos, a morte ocasiona-se pelo envenenamento. Esta constatação foi feita pelo veterinário Mmadi Reuben.

Teorias e crescimento de mortes

Foram quase seis meses de especulação e alguma angústia a respeito do que teria acontecido com os elefantes. Primeiramente, levantou-se a hipótese de caça ilegal, uma vez que o marfim é retirado do corpo do animal para alimentar o mercado negro. Depois, achou-se que os bichos foram acometidos por antraz (ou doença do carbúnculo).

Com a evolução dos trabalhos, as duas suspeitas foram descartadas. Uma das pistas para o correto diagnóstico estaria na proximidade dos elefantes com os reservatórios naturais de água e afins.

Outro ponto consistente foi a estagnação das mortes dos grandes Animais ao final de junho, época que coincide com a secura dos pontos de água.

Exames feitos em laboratórios do Zimbábue, Canadá e África do Sul revelaram que o sangue dos elefantes mortos denunciou a presença da cianobactéria.

Mesmo com a causa detectada, o governo de Botsuana disse que continuará com uma investigação mais profunda sobre a cianobactéria.

As primeiras carcaças de elefantes foram encontradas na região do Rio Okavango em março deste ano sob circunstâncias um tanto quanto misteriosas. De lá para cá, a melancólica estatística foi aumentando até chegar a trezentas mortes.

Aquecimento global?

Mmadi Reuben explica que a proliferação da bactéria tem um fundo guardado nas mudanças climáticas.

A tese também é compartilhada pelo Dr. Niall McCann do grupo de caridade “National Park Rescue”: “a mudança climática e o efeito do aquecimento global na região estão aumentando a intensidade e a gravidade da proliferação de algas nocivas, o que torna esse problema ainda mais provável de acontecer novamente.”

No relatório emitido pelo governo de Botsuana, há a “hipótese de que como os elefantes sugam água com seus troncos por baixo, é mais provável que bebam de níveis mais profundos nos poços, perto do lodo onde as toxinas anaeróbias estão contidas.”

O problema proveniente do aquecimento global pode explicar também semelhante fenômeno de óbitos em um parque nacional do Zimbábue; porém não há total certeza.

Apenas uma pequena correlação se cogita.

Mesmo com impacto das mortes, a certeza da maior população de elefantes do mundo está dentro do território de Botsuana, com 130 mil indivíduos.

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