Michelle Bachelet, alta comissária da Organização das Nações Unidas (ONU) para direitos humanos, denunciou em seu discurso anual sobre a situação global, nesta quinta-feira (27), em Genebra, na Suíça, o que chamou de "retrocessos" no Brasil. O país foi incluído em uma lista de 30 locais ao redor do mundo sobre os quais há preocupações quanto a violações de direitos humanos.

A ex-presidente do Chile havia alertado, ainda em 2019, sobre a possível redução da participação da sociedade civil nas decisões governamentais no cenário brasileiro, criticando também a violência policial.

No início da semana, Bachelet se reuniu com Damares Alves, ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, falando à representante sobre suas preocupações.

Em seu discurso, Bachelet apontou o recuo nas políticas de proteção ao meio ambiente e nos direitos dos povos indígenas, alertando sobre a tomada de terras demarcadas e os assassinatos de lideranças indígenas, bem como a perseguição a defensores dos direitos humanos e ativistas de movimentos sociais.

Sobre os Estados Unidos, a comissária considerou que Donald Trump deu "passos atrás" ao revogar a lei de proteção aos recursos hídricos promulgada durante o Governo Obama.

Ela falou sobre o risco de contaminação da água e do meio ambiente por substâncias tóxicas, colocando em perigo ecossistemas e um grande número de pessoas.

Entre os países citados por Bachelet como motivo de preocupação estavam também o Chile e o Equador, que enfrentaram ondas de protestos marcadas por repressão policial, além da Bolívia, em que houve um golpe de Estado com a ascensão de uma presidente interina ultraconservadora.

A comissária apresentou ainda um relatório especial sobre crimes e violações aos direitos humanos na Venezuela.

Tensões com representante brasileira

A embaixadora do Brasil na ONU, Maria Nazareth Farani Azevêdo, não acompanhou o discurso de Michelle Bachelet, mas teceu críticas à fala da comissária em discurso realizado horas depois.

Azevêdo acusou Bachelet de trazer uma narrativa com motivações políticas à ONU, afirmando que não há recuo nas políticas de proteção do meio ambiente, nem dos direitos indígenas, no atual governo.

Garantiu ainda haver um programa de proteção a ambientalistas e ativistas e que todos os atos de violência são investigados.

Azevêdo, contudo, não citou os recentes ataques a jornalistas feitos tanto por Jair Bolsonaro como por seus aliados, como no caso da falsa acusação a Patrícia Campos Mello de ter se insinuado sexualmente a Hans River, sua fonte sobre o disparo de fake news durante as campanhas presidenciais.

A embaixadora foi a mesma que, no ano passado, discutiu com o ex-deputado Jean Wyllys durante palestra na sede da ONU, após este criticar fortemente Jair Bolsonaro.

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