O perigo de a contaminação do novo coronavírus provocar a morte de milhões de seres humanos no mundo e a consequente queda na produção global é verdadeiro para o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres. Para ele, os que mais sofrerão serão os pobres e as mulheres. Ele sugere a distribuição de recursos para os mais afetados pela crise mundial provocada pela Covid-19 e alerta para a necessidade de uma mudança no pensamento global.

Em contrapartida, setores econômicos focam o impacto do coronavírus na economia.

A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, estima que a pandemia pode fazer com que a economia do Velho Continente encolha 5%. Esta é uma estimativa. E as causas da depressão econômica são as ações de combate a doença promovida pela União Europeia.

Guterres acredita que viveremos a maior recessão global. E os dados divulgados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) reforçam a ideia. De acordo com a OIT, a perda dos trabalhadores pode ser de US$ 3,4 trilhões em 2020.

A emergência no setor de saúde tem sido a preocupação maior com o advento do coronavírus.

Mas, não é só isso. O longo tempo de inatividade profissional provoca problemas no setor econômico dos países afetados pela pandemia.

Proteção social e o coronavírus

Medidas de proteção dessa população desassistida de programas sociais voltam a ser debatidas, desta vez forçada por uma calamidade mundial. Mas, Guterres consegue ver um ponto positivo na situação atual: o estímulo a solidariedade global.

Tanto que destaca a necessidade dos governos em apoiar os esforços da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Outro ponto destacado por Guterres durante sua entrevista coletiva pela internet nesta quinta-feira (19) é o enfoque necessário na recuperação econômica e que deve ser adotado por todos os países. Já não são mais suficientes as soluções adotadas no passado, como o ato de injetar dinheiro no setor financeiro.

Em 2008, este foi um recurso útil para o ambiente de Negócios. Mas a crise atual não é bancária, não é de demanda ou de oferta. Para o secretário-geral da ONU, trata-se de uma crise humana.

Sugestões contra o efeito do Coronavírus na Economia

Para os especialistas, a economia mundial realmente está a perigo. Na União Europeia, Lagarde calcula que os bloqueios das fronteiras do continente, decretados como forma de conter o avanço do novo coronavírus, podem durar três meses. Mas há quem ache que a queda pode ser maior. Diplomatas estimam que tal queda atinja a marca dos 10%. O cálculo leva em consideração uma queda de cerca de 2,1% ao mês de paralisação.

Entre as ações propostas por Guterres estão as medidas que garantam o reforço na liquidez do sistema financeiro, com atenção aos trabalhadores de baixa renda e para as pequenas e médias empresas. Assim como os países do G-20 protegem suas economias com cortes de juros, o chefe da ONU sugere que as nações devam focar nos mais necessitados.

Porém, tais medidas implicam em proteção social, com apoio salarial, seguros e prevenção de falências e desemprego. Ou seja, soluções voltadas para quem produz.

Coronavírus e a mudança de pensamento

Na visão do secretário-geral da ONU, de nada adianta os países tentarem resolver o problema no âmbito nacional.

Para ele, trata-se de uma crise humana e complexa que precisa da solidariedade para ser solucionada.

A oportunidade de mudança é destacada por Guterres. A crise do coronavírus deve ser tomada como lição. Ele acha que o momento é para a preparação para emergências em saúde e investimentos na crítica saúde do século 21.

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