Como espectadores e leitores estamos acostumados a saber das notícias em sua origem, em seu foco principal. Tal é assim com a epidemia de coronavírus na Itália, país mais impactado pelos efeitos e consequências da doença.

Mas, para se perceber a envergadura e o grau de prejuízo tanto a nível social quanto a nível econômico, é importante verificar o que acontece de fato nas vizinhanças.

Apesar de não fazer fronteira com a Itália, a Espanha sente a amargura e o desapontamento pela falta de circulação livre das pessoas nas ruas e estabelecimentos comerciais.

Tal panorama é bem evidente na capital, Madri.

Habituada a ser uma grande cidade efervescente e com grande fluxo de turistas, Madri se assemelha a uma localidade típica do interior do Brasil. Sem agitação, parada e deserta nas ruas e avenidas. Conhecida por oferecer diversidade e acolhimento de gente em seus bares, restaurantes e afins, Madri perdeu muito de sua descontração e badalação nos últimos dias.

Funcionário de um restaurante no centro da capital espanhola, Paco Higueras confessa a desolação quando vê a praã Puerta del Sol sem os aglomerados de madrilenhos e visitantes.

Ele mesmo anda usando máscara e luvas em prol da não propagação do coronavírus.

Ordem

O governo regional de Madri instituiu desde ontem, 14/03, até o dia 26/03, uma medida que visa ao fechamento de todos os tipos de comércio não essenciais. Sendo assim, estabelecimentos como farmácias, postos de gasolina, tabacarias e serviços ligados à alimentação estão livres desta medida.

A decisão tomada possui como razão principal o combate ao coronavírus, já que a região de Madri, bem no centro da Espanha, é a mais afetada do país.

São quase 2.950 infectados e 133 mortes, de acordo com dados fornecidos por autoridades locais.

Providência na qual se observa um resultado imediato e contrastante, pois Madri se caracteriza por sua atividade comercial e por seus bares cheios de gente.

Fazendo um rastreamento

Cartão postal da capital da Espanha, a Plaza Mayor e seus arredores estão vazios com restaurantes inacessíveis. O único movimento que se observa na região é composto por policiais, funcionários da limpeza pública e alguns turistas corajosos.

Ao chegar perto das portas cerradas, é possível ver um cartaz com os dizeres “Fechado por responsabilidade social”.

Nas farmácias acontece o oposto; há filas de pessoas que procuram manter uma distância segura um do outro. Após os clientes pagarem as contas, oferecem-se doses de álcool em gel para limpar as mãos da clientela.

Noutro ponto turístico de Madri, o comércio da Porta de Alcalá sofre com a queda brutal no movimento. Um dono de quiosque reconheceu a situação e acha que nas próximas duas semanas, a coisa tenderá para pior.

Os espanhóis também correm para as gôndolas de supermercados, visto que em determinadas seções, faltam produtos como legumes e conservas.

Igual como nas farmácias, os funcionários dos supermercados disponibilizam álcool gel para os fregueses.

Os museus do Prado e Reina Sofía estão de portas fechadas, o que gera frustração para aqueles que gostariam de conhecer melhor não só a parte cultural, como a própria cidade de Madri.

Pelo mundo

Essa conjuntura de esvaziamento não é exclusividade da capital da Espanha. Em outras cidades europeias como Milão e Roma (Itália) e Dublin (Irlanda), facilmente se observa, nos últimos dias, o porquê de conseguirem o rótulo de cidades-fantasma.

Devastada por uma crise nos níveis social, econômico e político, a Venezuela anunciou dois casos confirmados com coronavírus.

Isso acendeu a luz de alerta na vizinha Colômbia, a qual optou pelo fechamento das fronteiras terrestres com a Venezuela.

Panamá e Arábia Saudita direcionaram suas ações para o cancelamento de voos internacionais. Na França, em menos de 24 horas, a expansão da doença é considerada rápida. Nesse período, houve 800 novos casos e 14 óbitos. Hoje, 15/03, os franceses têm eleições municipais; no entanto, o que se espera é uma alta abstenção de comparecimento às urnas por causa da pandemia.

Ao menos, uma boa notícia vem do primeiro lugar onde se verificou o coronavírus. A China informou que no dia de ontem, 14/03, 11 novos casos foram registrados.

A maior parte desse número é proveniente de estrangeiros que viajaram para a China.

Mesmo com o pronunciamento do presidente Xi Jinping de que a epidemia está praticamente debelada, os especialistas de saúde chineses continuam em alerta.

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