Quando se vê que a grama do vizinho é mais verde, não dá para ficar indiferente e ser tomado por um pouco de inveja.

Pois, na Venezuela, é bem provável que nem mais exista grama. Nosso vizinho de cima se mantém na penúria e na crise. Dá para contar os tipos de crise na Venezuela: econômica, social, política, monetária e de quebra, vem mais um se juntar à lista. Sim, o coronavírus também desembarcou por lá.

Não bastasse isto, a população sofredora tem que passar por mais um problema: os protestos e a violência por falta de comida. A novidade não está exatamente na fome do povo da Venezuela, coisa que já vinha acontecendo há algum tempo.

Se não se morre de fome, pode-se morrer por tiro. Normalmente, os feridos são encaminhados para hospitais, onde podem conviver com a Covid-19.

Semana tensa

Em mais um dia de saques e protestos, a cidade de Upata, localizada no sul da Venezuela, registrou a morte de uma pessoa e dois feridos, ambos provocados por armas de fogo. No caso da morte, foram disparados dois tiros contra a cabeça de um jovem de 28 anos. Até o momento, não se sabe a origem dos disparos.

Upata tem 100 mil habitantes e a população local se revoltou contra o aumento de preços nos alimentos e produtos básicos. O problema não é sentido apenas nas pessoas, mas na outra ponta da relação comercial e econômica: um supermercado foi saqueado e vários comércios foram depredados.

A situação de perigo e tensão é percebida em outras cidades da Venezuela. Em Cumanacoa, no norte do país, registraram-se saques devido ao mesmo motivo observado em Upata; ou seja, aumento de preços nos produtos.

Outros protestos se verificaram em estados como Trujillo, Portuguesa, Mérida e Monagas. Para se ter uma ideia, o preço da carne cobrado em Caracas, a capital venezuelana, subiu 72% em um mês.

Era um orgulho

O país sul-americano está em seu sexto ano consecutivo de hiperinflação, além de sanções impostas pelos Estados Unidos e um grave déficit de ordem fiscal. Não obstante, a falta de investimentos e de manutenção nas refinarias de petróleo transformou a gasolina em artigo raro e de luxo. Sem um dos maiores orgulhos nacionais, não há como fazer o transporte dos gêneros de necessidades, por exemplo, alimentos, para o restante do território venezuelano.

Sem efetivo suficiente para conter os protestos, a polícia de Upata recorreu a coletivos e mototaxistas, enviando tanques de gasolina a estes grupos, na tentativa de vigiar os locais públicos e controlar/sufocar a violência. Conforme informações prestadas por um general da Guarda Nacional Bolivariana, a normalidade voltou a Upata.

Chegou o coronavírus

Do ponto de vista econômico, a falta de gasolina impede a circulação de bens e serviços na Venezuela, o que agrava o desabastecimento e faz jogar o povo contra a parede da carestia. O aumento da cotação do dólar no câmbio paralelo, usado pela maioria, forçou a majoração de preços dos produtos.

Para piorar de vez, a pandemia de coronavírus é o mais novo ingrediente "colaborador" dessa situação trágica e penosa.

Nicolás Maduro implantou a quarentena para todo o país a partir de 16 de março, buscando amenizar a expansão do vírus.

Dados colhidos pela Universidade John Hopkins, nos Estados Unidos, apontam 298 casos de Covid-19 na Venezuela, com a morte de 10 pessoas.

Dividido entre dois presidentes, aliados de Maduro e de Juan Guaidó têm se reunido secretamente, compartilhando preocupações sobre os impactos da pandemia na já combalida população venezuelana.

Apesar da negativa oficial declarada por Juan Guaidó, parlamentares chavistas e de oposição estão se aproximando para arranjar e debater alternativas e soluções. Tudo para sair da situação caótica e desesperadora em que a Venezuela se encontra há anos.

Se pensarmos em todo este cenário, não é difícil perceber e pensar que a nossa grama plantada no quintal ou no jardim merece uma valorizada.

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