O ex-presidente Michel Temer (PMDB-SP) declarou que o impeachment de Dilma Rousseff foi um golpe. A afirmação foi dita ao menos seis vezes durante entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, nesta segunda-feira (17). Ao mesmo tempo, ele alegou que não teve nada a ver com o episódio, não apoiando a deposição da presidente.

Para corroborar seu ponto de vista, Temer citou reportagem recente da Folha de S.Paulo em parceria com o The Intercept Brasil, onde registros de interceptação telefônica da Polícia Federal, feitas em 2016, mostram um diálogo dele com o ex-presidente Lula.

Nesse episódio, Lula teria telefonado para Temer pedindo seu apoio e do PMDB para defender Dilma. No Roda Viva, Temer disse que "era tarde demais", pois os políticos já tinham decidido pelo impeachment, em vista da vontade popular.

Temer se defendeu ainda justificando que assumiu o poder pelas vias constitucionais, porque também foi eleito na chapa de Dilma Rousseff. De qualquer forma, ele gostou de ser presidente, segundo ressaltou.

Lembrou também que o atual governo de Jair Bolsonaro seguiu as principais decisões de seu governo, sendo uma espécie de continuação em algumas questões, como a reforma trabalhista, reforma da previdência e dando segmento às privatizações. No mesmo programa, Temer revelou que a indicação de Lula para chefe da Casa Civil no governo Dilma - bloqueado pelo STF - poderia ter impedido o processo de impeachment.

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Lula Michel Temer

A ex-presidente comentou nesta terça-feira (17), em seu twitter, que Temer cometeu um ato de "sincericídio", por admitir que realmente aconteceu um golpe. A declaração de Temer deve render desdobramentos nesta semana, pois está dentro do contexto de outra polêmica: a da Lava Jato. A força-tarefa sofre bombardeio de questionamentos após a publicação de conversas nas redes sociais pelo Intercept.

Impeachmente gerou polêmica

A deposição de Dilma Rousseff aconteceu depois de um processo parlamentar na Câmara dos Deputados, que começou em 2 de dezembro de 2015, e terminou em 31 de agosto de 2016, com a cassação de seu mandato pelo Senado.

O PT sempre tratou o episódio como um golpe parlamentar.

A justificativa da Câmara foram as chamadas "pedaladas fiscais", ou seja, decretos de créditos suplementares, que culminam no uso de empréstimos de banco público - no caso a Caixa Econômica Federal - para auxiliar o orçamento, o que seria proibido por lei. Entretanto, a interpretação do fato ainda é motivo polêmica para especialistas.

O ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que está preso desde 2016 em processo de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, também afirmou que o processo de impeachment de Dilma Rousseff foi um golpe.

A declaração está em seu livro, o qual negocia publicação com editoras brasileiras.

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