As falas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na reunião dos líderes do G-20 e posteriormente em suas postagens no Twitter sobre o racismo, de que existe uma movimentação política para exterminar a diversidade e causar uma divisão entre os brasileiros e que "tensões raciais são alheias à História" do país, causaram repercussão entre entidades, políticos e em setores da sociedade.

Lilia Schwarcz, antropóloga e historiadora, se disse impressionada como o atual Governo tenta refundar o "mito da democracia racial brasileira", algo que, segundo ela, já deveria ter sido esquecido.

Ditadura militar

Schwarcz explicou que este foi um modelo criado nos anos 1930 e que foi abraçado depois pela ditadura militar, o que fez com que os brasileiros fossem impedidos de perceber como o racismo está entranhado de maneira complexa nas nossas relações institucionais e estruturais.

"É por isso que o governo faz propaganda mostrando crianças brancas ou recorrendo ao modelo da mestiçagem", disse a historiadora.

Mas Lilia explica que "mestiçagem no país" não quer dizer apenas mistura, uma vez que a combina com a tentativa de eternizar a hierarquia, a subordinação e uma política cruel de estereótipos.

Dados oficiais relatam que existe um genocídio de pessoas negras no Brasil. Para Lilia, o já conhecido negacionismo de Jair Bolsonaro não se trata de liberdade, mas sim de um extremo desrespeito com os assassinatos de negros no Brasil.

Daltônico

Jair Bolsonaro também declarou que o Brasil tem questões mais intrincadas do que as questões raciais. Ele disse que é "daltônico" e disse acreditar que todas as pessoas têm a mesma cor.

Políticos

O deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ) publicou em sua rede social que o país está chocado com o brutal assassinato de Jorge Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, assassinado por dois seguranças de uma unidade do supermercado Carrefour em Porto Alegre.

Freixo questionou como o presidente do país que possuí o segundo maior número de cidadãos negros no mundo pode agir com tanta indiferença.

A deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ) usou seu Twitter para declarar que a falta de consciência social do presidente da República está acabando com o Brasil.

Benedita declarou ainda que o Brasil manteve a população negra escravizada por 388 anos e, mesmo com a abolição da escravidão, as desigualdades raciais persistem.

Humberto Adami, presidente da Comissão Nacional da Verdade da Escravidão Negra do Conselho Federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), afirmou que Jair Bolsonaro não conhece a população do país que preside.

Humberto disse que a declaração de Jair Bolsonaro tem escondido um racismo que existe desde a época da escravidão.

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