Foi divulgado pela revista Época que a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) entregou para o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos) relatórios com a intenção de ajudá-lo durante o processo que investiga supostas lavagens de dinheiro que podem ter acontecido na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).

As investigações apuram se houve um esquema que recebeu o codinome de “rachadinha”, que consiste em funcionários repassar parte dos salários recebidos para o próprio patrão. Um dos assessores que vem sendo investigado pela Justiça de Rio de Janeiro é Fabricio Queiroz.

A polícia apresentou suspeita depois que constatou que Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, havia feito um depósito em cheque para conta da primeira-dama Michelle Bolsonaro.

O senador admitiu que recebeu os relatórios da Alerj que foram divulgados pela revista Época. Em um dos relatórios a Alerj foi bem direta ao descrever a finalidade dos documentos enviados, onde diz que é para defender Flávio no processo do caso Alerj e que o processo que resultou no acesso de dados fiscais do senador deve ser anulado.

Os documentos seriam usados pelos advogados do filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para argumentar que as investigações no caso da “rachadinha” foram motivadas por ações ilegais da Receita Federal.

O diretor-geral da Abin é um amigo da família Bolsonaro, Alexandre Ramagem, e foi ele quem disponibilizou os documentos para auxiliar a defesa de Flávio comprovar isso, de acordo com as informações divulgadas pela Época.

Ramagem havia sido nomeado por Bolsonaro para ocupar o cargo de Diretor-Geral da Polícia Federal mas, devido à ligação com a família Bolsonaro e Flávio estar sendo investigado, o Supremo Tribunal Federal barrou a nomeação.

Planos para manipular órgãos

O conteúdo do primeiro relatório mostra a Abin orientando os advogados a começarem mostrando a exigência do acesso de dados sem fundamentos pelo Ministério Público Federal do Rio de Janeiro. Outro trecho fala sobre a dificuldades de ter acesso a dados que foram solicitados à Receita Federal, e faz acusações sem provas contra funcionários do órgão.

Outra estratégia descrita nos documentos divulgados pela Época é a substituição de pessoas que trabalham nos órgãos da CGU (Controladoria-Geral da União), o Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados) e a AGU (Advocacia-Geral da União), com o intuito de que decidam sobre o caso. O documento também menciona que estes órgãos são subordinados ao Poder do Executivo.

Em outro trecho dos relatórios é citado um plano para conseguir documentos de interesse dos advogados do filho do presidente de forma ilegal. Isso envolvia um encontro com o chefe da Receita Federal, José Tostes Neto, para “tomar um cafezinho”.

Mais adiante o texto sugere que três pessoas que fazem parte do esquema sejam demitidas, e uma delas é Christiano Paes, chefe do Escritório da Corregedoria da Receita no Rio, que pediu exoneração na semana passada.

Os envolvidos foram procurados para esclarecer as informações que foram divulgadas pela Época, mas nenhum quis falar sobre o assunto até o momento.

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