A indicação de medicamentos para tratar infectados pelo Covid-19 por Jair Bolsonaro não é nenhuma novidade. O presidente Jair Bolsonaro, que durante toda a pandemia tem insistido em indicar a cloroquina, hidroxicloroquina e até vermífugos para tratar e mesmo prevenir a Covid-19, resolveu divulgar agora um novo medicamento. Trata-se da proxalutamida, que é um bloqueador hormonal e tem sido citada por ele em lives recentes. Porém, desta vez, o fato deste ter sido desenvolvido por chineses não parece ser um problema para o presidente.

Bolsonaro usa live para divulgar proxalutamida para Covid

Mais uma vez, a divulgação de remédio ainda não atestado por nenhum órgão oficial da Saúde, é citada pelo chefe de estado brasileiro. O fato aconteceu durante duas de suas últimas lives semanais, nas quais o presidente resolveu apresentar um estudo que supostamente indicou a eficácia do medicamento para o tratamento de infectados pelo novo coronavírus.

Contudo, de acordo com reportagem de Malu Gaspar, do jornal O Globo, este estudo sobre o uso da proxalutamida não só apresenta falhas, como também pode ser uma fraude.

Coletiva para apresentar o estudo sobre proxalutamida

A pesquisa sobre a proxalutamida foi apresentada na internet, em entrevista coletiva em 11 de março.

O médico Luis Alberto Nicolau foi quem conduziu a entrevista e estava acompanhado de Flávio Cadegiani. Foi este o médico endocrinologista que criou o TrateCov, o aplicativo que orientava o uso de medicamentos que não tinham embasamento científico contra a Covid 19. Luis Alberto é dono dos hospitais do grupo Samel, do estado do Amazonas.

Para demonstrar a suposta eficácia do medicamento, foi apresentado um estudo em que foram utilizados 590 voluntários. Destes, 296 receberam placebo, enquanto os outros 294 foram tratados com a proxalutamida. Segundo o estudo apresentado, entre aqueles que receberam a proxalutamida, 12 pessoas vieram a óbito contra 141 do grupo que recebeu o placebo, o que significaria uma eficácia de 92%.

Estudo gera desconfiança

Na opinião de especialistas, o trabalho não foi conduzido de forma acertada, pois se o estudo já no início demonstrava uma grande diferença entre o número de óbitos dos que tomaram o medicamento e aqueles que não tomaram, não havia sentido prosseguir com os testes e deixar que mais pessoas morressem. De acordo com os especialistas que foram ouvidos, a mortalidade de 47% durante os testes representa um número excessivo e o estudo não deve continuar.

Outro aspecto levantado foi o período curto demais para que uma pesquisa desse tipo tenha dados confiáveis. O estudo aconteceu entre o dia 2 de fevereiro e 22 de março.

Um dos especialistas que se pronunciou sobre o assunto foi o infectologista que também é professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Mauro Schechter.

"Com essa taxa de eficácia, com 40 participantes, eu já teria 10 mortes no grupo placebo e apenas uma entre os pacientes que tomaram o remédio. Então pra que continuar até os 600 voluntários e esperar que morressem quase 150 pessoas?", disse o professor em contato com o O Globo.

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