O homem condenado pela morte do jornalista Tim Lopes, apelidado de “Elias Maluco”, recebeu um habeas corpus do Ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello. O documento, assinado na última quinta-feira (1º), se refere a outra acusação envolvendo o nome do suspeito, pelo crime de associação por tráfico.

Mesmo com o habeas corpus, o detento continuará preso, considerando que a medida só é válida para casos que não incluem outras ordens de prisão em vigor. De acordo com o documento do STF, divulgado pelo portal Consur, Elias Pereira da Silva está preso temporariamente por esse crime há mais de 2 anos.

“O paciente encontra-se preso, sem culpa formada, desde 7 de julho de 2017, ou seja, há 2 anos e 24 dias. Surge o excesso de prazo. Privar da liberdade, por tempo desproporcional, pessoa cuja responsabilidade penal não veio a ser declarada em definitivo viola o princípio da não culpabilidade”, cita o Ministro do STF.

De acordo com o portal G1, ao todo, na Vara de Execuções Penais do Tribunal de Justiça do Rio há cinco processos ativos contra Elias Maluco, totalizando mais de 59 anos de prisão de pena.

Em 2005, o preso foi julgado e condenado a 28 anos e 6 meses de prisão, pelo assassinato de Tim Lopes, cometido em junho de 2002, em um Complexo do Rio de Janeiro. Na ocasião, o jornalista trabalhava na apuração de uma matéria para a Rede Globo, quando foi sequestrado, torturado e executado por traficantes.

Em 2013, segundo jornal Folha de São Paulo, ‘Maluco’ foi condenado a mais de 10 anos de prisão, pelo crime de lavagem de dinheiro, ainda no Rio de Janeiro. A esposa dele, Silvânia Fernandes Neiva Faria Pereira da Silva, e a mãe dela, Zilva Fernandes Pereira da Sila também foram consideradas culpadas.

Atualmente, o traficante cumpre pena no presídio de Catanduvas, no Paraná.

O Assassinato de Tim Lopes

O jornalista Tim Lopes, de 52 anos, foi sequestrado, torturado e assassinado por traficantes, enquanto fazia uma reportagem no Rio de Janeiro, em 2 de junho de 2002. A vítima, que trabalhava como produtor na Rede Globo, apurava uma denúncia envolvendo o abuso de menores e o tráfico de drogas em um baile funk, na Vila Cruzeiro.

Na ocasião, traficantes planejaram a morte do jornalista, após notarem a presença recorrente dele na comunidade. A execução ocorreu em um Complexo da cidade carioca, chamado ‘Pedra do Sapo’.

“Tim Lopes foi torturado por um grupo de nove homens e executado por Elias Maluco com um golpe de espada. Depois, o corpo foi esquartejado e queimado em pneus em um local, conhecido como “micro-ondas”, conta o portal IG.

De acordo com o acervo do portal Globo, a polícia confirmou a morte de Arcanjo Antonino Lopes do Nascimento em 9 de junho de 2002, uma semana após o desaparecimento. Devido as condições, o corpo de Tim, que foi encontrado em um cemitério clandestino, precisou passar por exame de DNA, para o reconhecimento.

Ele foi enterrado em 7 de julho.

“A Polícia prendeu sete acusados do crime, levados a julgamento em 2005. Elias Maluco foi preso no dia 19 de setembro de 2002, 109 dias depois da morte de Tim Lopes”, conta o portal.

A morte do jornalista ganhou grande repercussão, devido ao requinte de crueldade com o qual Lopes foi executado. Até hoje, o assassinato do produtor ainda é considerado um dos crimes mais cruéis, envolvendo profissionais da comunicação no país.

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