Um estudo publicado no repositório acadêmico de medicina e ciências da saúde medRxiv, na quinta-feira passada, 16, apontou um aumento na mortalidade de pacientes com covid-19 tratados com hidroxicloroquina.

Realizada por uma equipe multidisciplinar da Universidade da Carolina do Sul e da Escola de Medicina da Universidade da Virgínia, a pesquisa analisou os dados de todos os indivíduos internados em centros médicos da Administração de Saúde de Veteranos dos Estados Unidos infectados pelo coronavírus até o dia 11 de abril.

De acordo com o artigo, foram avaliados 368 pacientes, dos quais 97 foram tratados apenas com hidroxicloroquina e 113 fizeram uso da substância associada também ao antibiótico azitromicina.

Entre os primeiros, a taxa de mortalidade foi de 27,8%, enquanto entre os últimos a taxa foi de 22,1%. Já entre os 158 pacientes que não usaram nenhum dos dois medicamentos, a taxa de mortalidade observada foi de 11,4%.

Também não houve diferença muito significativa entre aqueles que necessitaram de ventilação mecânica: 13,3% dos tratados com hidroxicloroquina; 6,9% daqueles que usaram a combinação com o antibiótico; e 14,1% dos que não usaram os medicamentos.

A pesquisa foi financiada pelo Instituto Nacional da Saúde e pela Universidade da Virgínia. Os autores explicam que, com os resultados preliminares do estudo, fica ainda mais evidente a necessidade de se aguardar a finalização de pesquisas controladas antes de se adotar protocolos amplos de aplicação de medicamentos para se tratar a covid-19.

Estudo francês também não encontra eficácia

Segundo estudo realizado por médicos franceses e também publicado no repositório medRxiv, o tratamento com cloroquina não demonstrou eficácia em pacientes internados com covid-19.

A pesquisa analisou os registros médicos de 181 indivíduos, sendo que 84 deles fez uso da cloroquina até 48 horas depois da internação, com uma dosagem de 600 mg por dia.

Daqueles que foram tratados com a substância, 20,2% morreram ou foram encaminhados para a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), em comparação a 22,2% dos que não usaram a cloroquina.

Além disso, 8 dos pacientes que usaram a cloroquina tiveram de ter o tratamento interrompido após o exame apontar alterações cardíacas. A arritmia é um dos efeitos colaterais do medicamento.

Pesquisa brasileira interrompeu maiores dosagens

No Brasil, um estudo conduzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e pela Fundação de Medicina Tropical (FMT), financiado pelo governo do Amazonas, foi suspenso após pesquisadores identificarem sérios efeitos colaterais entre pacientes que usaram dosagens maiores da cloroquina.

Entre os 81 pacientes em estado grave, acompanhados por 28 dias após a internação, uma parte recebeu doses de 600 mg duas vezes ao dia, durante 10 dias, enquanto a outra parte fez uso de 450 mg, sendo duas doses no primeiro dia e uma única por mais 4 dias. Mesmo entre aqueles que tomaram a maior dosagem do remédio, a taxa de letalidade se manteve em comparação às mortes de pessoas que não são tratadas com a cloroquina.

Após o falecimento de 11 dos pacientes, a aplicação de dosagens mais altas do medicamento foi suspensa pelo governo do Amazonas.

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