A campanha eleitoral no Brasil pode ser apontada como a principal causa de novos casos de coronavírus, segundo o médico sanitarista, fundador e ex presidente da Agência Nacional de Saúde (Anvisa) e professor da Universidade de São Paulo (USP), Gonzalo Vecina Neto. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

De acordo com o médico, as mobilizações de candidatos nas ruas em busca de votos junto aos planos dos governos estaduais para abrandar a quarentena, colaboraram com o aumento de internações em todo o país.

Porém, Neto não responsabiliza a eleição por todos os problemas causados. Ele ressalta que foram tomados todos os cuidados adequados e necessários durante o período de votação, mas a forma como foram feitas as campanhas eleitorais e toda a sua permissividade, complicaram a situação.

Médico alerta para o relaxamento da quarentena

Segundo o médico Vecina Neto, bares e restaurantes com poucas janelas e, com isso, pouca ventilação não deveriam ter sido abertos.

O médico afirma que ao respirar, as pessoas emitem aerossóis (pequenas partículas de um líquido ou sólido que estão em suspensão no ar na forma de um gás), estas partículas encontram diretamente os olhos humanos ou ficam em cima de superfícies nas quais as pessoas tocam e, em seguida, levam as mãos aos olhos e a boca.

Neto também foi questionado se considerava uma definição política a revisão do Plano São Paulo (programa estadual de reabertura econômica) ter sido adiada para o dia 30/11, um dia após ao segundo turno da eleição para prefeitura da capital paulista.

O médico respondeu, categoricamente, que a medida foi tomada para evitar a perda de votos do atual prefeito Bruno Covas.

Médico adverte sobre o Natal de 2020

Neto diz que a questão das festas de fim de ano é bem simples. Segundo ele, as pessoas precisam se perguntar se querem festejar o Natal de 2021, a resposta sendo sim, não devem festejar o Natal de 2020.

A afirmação é devido ao risco de um "encontro" com o Coronavírus causando consequências para o indivíduo contaminado e as pessoas que ele ama.

O médico também afirma que a sociedade terá que passar por esta crise para "chegar ao lado de lá", com renovação do auxílio emergencial, ou com algum outro tipo de auxílio. Ele sugere que o país se livre do presidente Bolsonaro, porque, segundo suas palavras, o substituto não é grande coisa, mas faria menos bobagens do que ele.

O médico também ressalta que a presença do Estado é fundamental para se evitar uma barbárie, e diz que muitos economistas defendem a distribuição de dinheiro para as classes mais pobres.

Médico também alerta sobre 2021

Neto afirma que as pessoas gostando ou não, a maior parte do ano que vem será igual a 2020.Ele alega que enquanto não for possível o acesso à vacina e não ocorrer uma vacinação em massa, o número de mortes continuará aumentando.

"Isso precisa ficar claro na cabeça das pessoas", declara o médico.

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