O PIB (Produto interno Bruto) brasileiro registrou uma significativa queda de 9,7% no segundo trimestre de 2010. A informação foi divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), conforme cálculos relativos aos meses de abril, maio e junho do ano corrente. O órgão também revisou o cálculo atribuído ao valor do tombo do PIB no primeiro trimestre para 2,5%. Os cálculos foram divulgados nesta terça-feira (1), às 9h.

A profunda retração da economia brasileira encontra justificativa na crise econômica gerada pela pandemia do novo coronavírus, que acarretou uma longa paralisação das atividades econômicas brasileiras, como consequência das medidas de isolamento social.

Desgaste econômico coloca país em nova recessão técnica.

A queda representa um recorde histórico de retração do PIB desde que o cálculo trimestral começou a ser feito pelo IBGE, em 1996. Anteriormente, o maior rombo trimestral do Produto Interno Bruto foi registrado no último semestre de 2008, quando regrediu 3,9%, em virtude da crise econômica mundial que ocorreu naquele ano.

O cálculo está dentro das previsões feitas por instituições financeiras especializadas. Segundo sondagem da equipe econômica do portal G1, pelo menos dez consultorias apostavam em uma retração que ficaria em torno de 8% e 10%.

Queda do PIB: comparação com outros períodos

Segundo os cálculos divulgados pelo IBGE, no acumulado de todo o primeiro semestre, o PIB brasileiro teve uma queda de 5,9% em relação ao mesmo período do ano de 2019.

Já em relação ao segundo semestre do ano passado, os valores da queda foram ainda maiores e chegaram a 11,4%.

Os resultados contrastam profundamente com o crescimento homogêneo que o país teve durante os quatro trimestres de 2019, que representam os resultados do primeiro ano do governo Bolsonaro e do ano posterior ao término do governo Temer.

Os 9,7% desse trimestre representam o novo recorde histórico desde que o o IBGE passou a fazer o cálculo do PIB dentro do período de três meses no ano de 1996. Anteriormente, o maior rombo trimestral pertencia ao quarto trimestre de 2008, doze ano atrás, quando o país vivia os efeitos da crise internacional imobiliária iniciada nos Estados Unidos.

A última vez que duas retrações ocorrerem sequencialmente em dois trimestres foi no final de 2016, quando o terceiro e quarto trimestres do ano registram uma queda de, respectivamente, 0,6% e 0,1% dos valores do Produto Interno Bruto.

Valores referentes à retração do primeiro trimestre de 2020 foram reavaliados para 2,5%

Além da divulgação da involução do Produto Interno Bruto relativo ao segundo trimestre de 2020, o IBGE também fez uma ressalva quanto ao valor do PIB relativo ao primeiro trimestre do ano. Se antes o valor divulgado foi de -1,5%, o que já ocasionou bastante pessimismo dos agentes mercado em relação à economia brasileira, agora o valor é ainda maior: -2,5%.

A nova reavaliação aponta para uma estimativa ainda maior de degradação econômica sofrida pelo Brasil no período.

Importante que os cálculos relativos ao primeiro trimestre são abrangidos até março, quando começou a ser implementando no país as medidas emergenciais de contenção à pandemia do novo coronavírus. Nesse caso, a economia já dava indícios de recessão antes mesmo da imposição de medidas de isolamento social e paralisação da atividade econômica implementadas pelos governos estaduais.

Nova retração do PIB trimestral faz país entrar em recessão técnica

A nova retração consecutiva do PIB faz com que o Brasil entre em uma nova recessão técnica. A recessão econômica é um forte indicativo usado por economistas para designar a queda do crescimento econômico de cada nação.

No caso da recessão técnica, os indicadores utilizados para diagnosticar sua existência reside na avaliação do cálculo trimestral do PIB.

Quando o Produto Interno Bruto possui duas quedas trimestrais, uma seguida da outra, fica caracterizado o diagnóstico da recessão técnica.

O Brasil, portanto, após crescimento contínuo nos quatro trimestres de 2019, volta a ter duas retrações consecutivas e, consequentemente, volta a apresentar sinais de recessão técnica.

O retorno da recessão acontece após um breve período de estabilidade econômica após o governo Temer. A nova recessão econômica chega antes mesmo do país se recuperar das perdas provenientes do último período recessivo, entre 2014 e 2016, e veio com um impacto numérico bem mais forte que as anteriores. Segundo dados divulgados pelo IBGE, o PIB no momento estaciona nos mesmo números econômicos do final de 2009, o que implica em cerca de 11 anos de perdas econômicas e ilustra a intensidade do desgaste estrutural sofrido pelo país.

A divulgação dos dados do IBGE só confirma o processo de recessão econômica que não só o Brasil, mas toda a economia mundial entrou após as paralisações generalizadas provocadas pela pandemia do novo coronavírus. Em face do ineditismo da situação, ainda é incerto afirmar quanto tempo demorará para que os efeitos da recessão comecem a cessar.

Queda recorde do PIB afetou intensamento setores de indústria e serviço

Quando analisados os impactos da crise em cada um dos segmentos da economia, percebemos resultados bem contrastantes. Enquanto os segmentos de indústrias e serviços tiveram queda recorde, o segmento agropecuário, por outro lado, teve crescimento sensível.

Os números dos setores industriais e de serviços foram de -12,3% e -9,7%, respectivamente.

A retração destes dois setores registram o recorde histórico de 1996, mesmo com a implementação de políticas de empréstimos especiais aos setores. Segmentos como consumos de família e investimentos também tiveram quedas marcantes, de -12,5% e -15,4%, respectivamente.

O segmento de consumos de família, mesmo com a implementação das políticas de transferência de renda, como o Auxílio Emergencial. O segmento é um dos principais potencializadores econômicos do PIB brasileiro há anos e registrou também retração recorde neste segundo trimestre

Também foram percebidas quedas bastante expressivas em setores como transporte, armazenagem e correio, que registraram -19,3%, e comércio, com -13,0%.

Já agropecuária destacou-se positivamente, apesar do crescimento apenas sensível.

O crescimento do setor foi de 0,4% e marcou um contraste com a maioria dos outros principais segmentos. O indicador de exportação foi o outro único segmento que teve porcentagem positiva no período, muito em função do impulso da própria atividade agropecuária.

Tanto o setor de agronegócio, como o de indústrias e serviços, vêm de crescimentos econômicos registrados no ano de 2019. Somente o agronegócio registrou crescimento sensível nos dois trimestres deste ano, enquanto indústrias e serviços registram retração.

Auxílio Emergencial foi essencial para conter queda ainda maior do PIB

Segundo Rebeca de La Roque Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, os investimentos governamentais tanto nos programas de distribuição de renda quanto na liberação de crédito para pessoas físicas e jurídicas foi essencial para que o estrago econômico não fosse ainda maior:

“O consumo das famílias não caiu mais porque tivemos programas de apoio financeiro do governo.

Isso injetou liquidez na economia. Também houve um crescimento do crédito voltado às pessoas físicas, que compensou um pouco os efeitos negativos”, revelou a coordenadora Rebeca Palis.

Segundo cálculos e relatos de consultorias econômicas sondas pelo Portal G1, aponta que sem o Auxílio Emergencial, a rombo do Produto Interno Bruto neste segundo trimestre poderia chegar ao valor de 18,2%. O valor corresponderia a quase o dobro da grave retração sofrida.

Já a consolidação de linhas especiais de crédito, como o Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte), injetou a liquidez necessária para a manutenção de inúmeras empresas de micro e pequeno porte, que geralmente são as mais vulneráveis em cenários de crises econômicas generalizadas como a de agora.

Dados da Morgan Stanley apontam retração menos grave que as estimativas prévias

Segundo dados de relatório da instituição financeira norte-americana Morgan Stanley, os indicativos de retração do Produto Interno Bruto nos países da América Latina são ainda maiores que os estimados em previsões anteriores. A única exceção na parte latina do continente americano corresponde ao Brasil.

Os motivos que tornam o Brasil uma exceção no continente, segundo a Morgan Stanley, são justamente as medidas de transferência de renda e liberação de linhas de crédito, como o Auxílio Emergencial e o Pronampe, assim como a enorme proporção continental do país e a consequente informalidade trabalhística, fatores que dificultaram a implementação de medidas de isolamento mais restritivas, o que acarretou numa maior dificuldade em controlar o impedimento da atividade econômica.

A expectativa da instituição financeira é de uma queda de 9,5% do PIB no segundo trimestre na comparação com os três primeiros meses do ano. Previsão esta mais otimista que a estimada para o resto da América Latina.

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