O Supremo Tribunal Federal (STF) deverá julgar nos próximos dias se o processo contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em relação ao caso tríplex de Guarujá (SP) vai ser anulado ou não. Em entrevista à agência de notícias Reuters, o ministro do STF Gilmar Mendes deu a entender que o processo poderá ser revisto e anulado caso seja comprovado que na época do julgamento houve uma suposta imparcialidade do então juiz Sergio Moro.

O ministro explicou que a anulação do julgamento do ex-presidente é possível, caso isso ocorra deverá ser instalado um novo julgamento.

Em junho, Mendes defendeu a soltura de Lula para que o ex-presidente aguardasse em liberdade um novo julgamento. Em seu discurso, Mendes insinuou que na época do processo do caso tríplex, o então juiz federal Sergio Moro agiu de forma parcial, após citar conversas vazadas sobre o escândalo da Operação Lava-Jato, em que Moro cobrou agilidade e manteve conversas com procuradores do Ministério Público Federal de Curitiba (MPF) sobre as investigações.

Perguntado se Moro, atual Ministro da Justiça e Segurança Pública, cometeu irregularidades com as supostas mensagens, Mendes explicou que no momento existem diversas evidências de incorreções que podem resultar em transgressões graves na conduta do magistrado e demais envolvidos nos diálogos, caso seja comprovado que as mensagens são legítimas.

Ainda de acordo com a entrevista, Gilmar preferiu não se manifestar sobre o afastamento de Moro do cargo até que as investigações sejam concluídas.

Entretanto, o ministro defende que os envolvidos nos episódios das mensagens deveriam passar por uma espécie de “accountability”, que significa prestação de contas, e questionou: ''ok, vamos até condenar os hackers e tudo o mais, agora este ato foi praticado ou não foi?

E tendo sido praticado, por que foi praticado?”.

Escândalo

Entre os 11 magistrados do STF, Gilmar Mendes é considerado um dos mais críticos da Operação Lava-Jato. De acordo com Mendes, a divulgação das mensagens entre responsáveis pelas investigações deixou dúvidas se realmente existiu acometimento de irregularidades contra a Petrobrás. Sendo assim, ele falou a respeito da possibilidade de as investigações serem retiradas da jurisdição federal de Curitiba.

Em relação às mensagens vazadas, Gilmar Mendes acrescentou que esse seria um dos maiores escândalos: "tudo é muito sério, tenho dito que, considerando a abrangência da operação e também o envolvimento do Judiciário e da Procuradoria, que esse é o maior escândalo envolvendo o Judiciário desde a redemocratização".

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