As acusações realizadas pelo ex-ministro Antonio Palocci afirmaram um esquema de propinas milionário, que seriam enviadas diretamente ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e administrado por André Esteves, banqueiro do BGT. A delação do ex-ministro não tem nenhuma prova, de acordo com a Polícia Federal. Além da falta de provas, testemunhas e delatores da investigação desmentiram as declarações de Palocci em depoimento, mesmo que tenham acusado o ex-presidente Lula em outras ações judiciais.

Inquérito

O delegado responsável pelas investigações, Marcelo Daher, concluiu o inquérito na última semana e declarou que as informações fornecidas por Palocci na delação, não tem nenhum tipo de comprovação.

O delegado afirmou ainda que a delação do ex-ministro parece ter sido realizada com base em pesquisas virtuais e notícias de jornais.

Marcelo explicou que embora notícias jornalísticas sejam suficientes como base para a abertura de uma investigação formal, estas necessitam ser corroboradas com as provas produzidas e apresentadas, justificando assim a continuação da persecução penal que, neste caso, o processo teve andamento mesmo sem a corroboração das provas.

A conclusão do inquérito foi encaminhada ao Ministério Público Federal.

Delação de Palocci

O inquérito foi aberto com o objetivo de investigar a veracidade das declarações realizadas pelo ex-ministro.

Durante a delação, Palocci revelou que o bancário André Esteves teria se tornando o responsável por administrar, ocultar e movimentar montantes de dinheiro recebidos pelo ex-presidente Lula.

As verbas seriam de um esquema de caixa dois, caracterizando assim o crime de Corrupção. De acordo com a acusação de Palocci, as contas utilizadas para estas movimentações eram abertas em nomes de terceiros (laranjas).

O relacionamento entre Lula e o bancário teria iniciado após André supostamente transferir uma quantia de R$ 10 milhões para o petista, alcançando assim grande influência dentro do governo de Lula.

As transações garantiam informações privilegiadas sobre câmbio e juros no Banco Central, e os lucros obtidos nas movimentações financeiras resultantes destas informações seriam divididos entre os dois.

De acordo com Palocci, o esquema foi planejado em uma reunião presidencial que ocorreu no ano de 2009, sendo praticado efetivamente em 2011.

Contradições

Durante investigações do inquérito, a polícia Federal realizou através de seu Laboratório de Tecnologia contra lavagem de dinheiro, operações de busca e apreensão e quebra de sigilo bancário dos envolvidos, porém não foi constatado nenhum tipo de lucro advindo de operações irregulares relacionadas ao Bintang, apontado pelo delator como base das transações.

Ainda em depoimento, o ex-ministro Palocci admitiu que envolveu o nome do fundo Bintang como instrumento de caixa dois, porque na época era o nome que mais aparecia em notícias de mercado. Ele realmente não tinha nenhuma prova concreta, além do que se via nos jornais e televisão.

Outra pessoa envolvida nas investigações é o empresário Marcelo Odebrecht, acusado de repassar propina para Lula.

Diante da delação de Palocci, o empresário afirmou que existiram confusões nas declarações feitas por ele. Ainda de acordo com Marcelo, embora ele tenha uma ótima relação com banqueiro André Esteves, ele nunca mencionou algum envolvimento com contas bancárias relacionadas ao PT, conforme acusações do ex-ministro.

Palocci afirmou também em seus depoimentos, que ele teria sido o responsável por agendar a reunião de Lula com o banqueiro, que resultou na criação do esquema criminoso. No entanto, André diz que esta reunião jamais aconteceu, e que não faria sentido usar um intermediário quando a relação direta entre eles era muito boa, justificando que isso não passa de mais uma alegação infundada de Palocci.

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