O colunista Reinaldo Azevedo, do portal UOL, explanou um último acontecimento sobre o envio por parte da China dos insumos necessários para continuar com a produção da vacina CoronaVac aqui no Brasil.

Segundo as informações divulgadas pelo colunista, o Instituto Butantan já vinha negociando com a China a importação do chamado Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) para a fabricação do imunizante no Brasil.

Essa negociação foi fechada após o ex-presidente Michel Temer, por meio de uma ligação, conversar com o embaixador da China no Brasil, que lhe garantiu que os insumos seriam enviados ao instituto.

Durante uma reunião que aconteceu entre ex-presidentes do Brasil, organizada pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB), Temer noticiou que a China havia lhe dito que o produto já estava sendo encaminhado para o Brasil, mas só faltava resolver um problema técnico.

Bolsonaro agradece a China pelo envio do insumo

No Twitter, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez uma publicação que deu a entender que o Governo federal é quem havia feito a negociação para que a China enviasse o insumo.

Bolsonaro disse através da rede social que havia sido informado pela embaixada chinesa que o produto estava sendo encaminhado e que a quantidade a ser enviada é de 5.400 litros de insumo para a vacina Coronavac, que já está em uso no Brasil.

Na publicação o presidente falou que insumos para produção do imunizante AstraZeneca também estavam sendo agilizados. Para finalizar a publicação, ele agradeceu a colaboração do governo chinês e o trabalho dos ministros Eduardo Pazuello (Saúde), Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e Tereza Cristina (Agricultura).

Para o colunista, a única pessoa que teve mérito de reconhecimento foi a ministra Tereza Cristina, que, segundo o colunista, não foi nem pelo resultado, mas pelo trabalho que ela vem realizando no governo de manter uma boa relação com a China.

Já os outros ministros citados, o colunista afirmou que eles agiram totalmente ao contrário, criando brigas e discussões desnecessárias que só aumentaram a tensão entre os dois países. Ele ressaltou que Ernesto Araújo sempre alimentou a ideia de que o Brasil deve combater o globalismo e o comunismo, supostamente promovidos pela China.

Embaixador chinês responde Bolsonaro no Twitter

A publicação de Bolsonaro recebeu a atenção de Yang Wanming, embaixador da China no Brasil. O embaixador chinês afirmou que a China está à disposição do Brasil para ajudar a erradicar o coronavírus no país. Ele afirmou que para enfrentar a pandemia é preciso união e solidariedade entre os países.

Para o colunista do UOL, os eleitores de Bolsonaro ficaram meio na dúvida se comemoram ou não a interação feita pelo Embaixador chinês.

Governo paulista rebate versão de Bolsonaro

Em nota, o Palácio dos Bandeirantes negou a versão apresentada por Bolsonaro em sua publicação no Twitter e afirmou que a liberação dos insumos pela China se deu após negociação realizada pelo Instituto Butantan e o governo paulista. "Não é verdade o que disse o Presidente Bolsonaro em redes sociais, de que a importação de insumos da China foi uma realização do Governo Federal. Todo o processo de negociação com o governo chinês para a liberação de 5.400 litros de insumo para a vacina do Butantan foi realizado pelo Instituto e pelo Governo de São Paulo, que vem negociando com os chineses a importação de vacinas e insumos desde maio do ano passado. Esta negociação é continua e nunca foi interrompida, mesmo quando o Governo Federal, através do presidente da República, anunciou publicamente, em mais de uma ocasião, que não iria adquirir a vacina por causa de sua origem chinesa.

Neste período, um total de 4 lotes de vacinas e insumos foram recebidas pelo Governo de SP sem nenhuma participação do governo Bolsonaro", diz a nota.