O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou, na terça-feira, 14, que interromperá os repasses de recursos à Organização Mundial da Saúde (OMS), órgão que vinha criticando em função de seu papel na crise da pandemia de coronavírus. Trump acusa a OMS de má gestão e de encobrimento da expansão do vírus.

Alegando, em coletiva de imprensa na Casa Branca, que a organização seria "centrada na China", o presidente citou o posicionamento da entidade em janeiro, quando esta se mostrou contrária à tentativa de Trump de barrar voos vindos da China.

Os Estados Unidos são responsáveis pelo maior financiamento repassado à OMS, correspondente a cerca de 10% de sua verba.

Sediada em Genebra, ela está vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU). Trump disse que pressionará a entidade, que, segundo publicou em sua conta no Twitter, "estragou tudo", e que precisa de reformas em sua posição. Ele alegou, ainda, uma falta de transparência do órgão, que teria falhado em avaliar com objetividade a situação da China.

Apesar de ter sido o primeiro a fechar suas fronteiras, os Estados Unidos são, hoje, o país com maior número absoluto de casos de covid-19, que está próximo de 650 mil, tendo chegado a mais de 30 mil mortes nesta quinta-feira, 16.

No início, Donald Trump minimizou a gravidade do coronavírus e se mostrou contrário às medidas de isolamento social e considerou a retomada das atividades econômicas ainda na Páscoa.

Contudo, a situação do país fez com que a quarentena fosse adiada pelo menos até o fim do mês.

Trump é criticado por médicos e autoridades

A atitude do presidente estadunidense foi classificada pelo editor chefe da revista médica The Lancet, Richard Horton, como um "crime contra a humanidade", que representa uma "traição à solidariedade global".

Em sua conta no Twitter, Bill Gates considerou perigosa a decisão de Trump durante uma crise na saúde mundial.

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, declarou que este não é o momento para se cortar fundos ou questionar erros da entidade, diante da emergência de um novo vírus que representa desafios que só agora estão sendo conhecidos.

Ao jornal The Guardian, Guterres reafirmou não ser um momento adequado para se reduzir os recursos de quaisquer entidades humanitárias que estejam lutando contra o coronavírus.

Também o médico Dr. Amesh Adaljar, pesquisador sênior do Centro para Segurança da Saúde da Universidade Johns Hopkins, comentou que a OMS cometeu erros, mas que as avaliações devem ser deixadas para depois da crise, pois não se toma uma atitude como a de Trump em meio a uma pandemia.

O Dr. Nahid Bhadelia, médico infectologista e professor associado do curso de medicina da Universidade de Boston, considerou a decisão do presidente americano "um desastre absoluto", chamando a atenção para o fato de a OMS ser uma parceira global técnica, que serve a todos os países a fim de compartilhar informações, dados e tecnologia.

A jornalista científica e bióloga Laurie Garrett, ex-pesquisadora sênior do Programa de Saúde Global do Conselho de Relações Exteriores, disse que o ato condenável de Trump irá "custar vidas".

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