Ainda não virou tema para ser contado nos filmes de cinema, mas já virou “meme” nas redes sociais e na Internet o encalhe do navio de bandeira panamenha no Canal de Suez. Por estar na diagonal, o “Ever Given” bloqueou totalmente o tráfego marítimo na região já há 5 dias. Foi em 23 de março que o cargueiro perdeu sua direção e, ao que parece, a solução não será tão rápida.

“Se o Canal de Suez permanecer bloqueado por mais 3 ou 5 dias, isso começará a ter ramificações globais muito sérias” afirmou o vice-presidente da consultoria dinamarquesa Sea-Intelligence, Niels Madsen.

Uma autoridade que gerencia as operações do Canal de Suez acha que o acidente foi provocado por falha técnica ou humana, descartando assim os indícios de mau tempo e ventos desfavoráveis como causa principal.

Muito trabalho pela frente

Funcionários do canal tentam desencalhar a embarcação de 400 metros de comprimento e com peso total de 220 mil toneladas. Esse colosso atravessado apresentou leve movimentação, mas foi muito pouco para solucionar o problema.

De acordo com técnicos, a proa do navio adentrou bem ao solo argiloso do Canal, mas a popa está relativamente livre da ação danosa da argila. Como a popa é responsável pela direção do navio, é um mal menor. Um fato encarado até de forma positiva.

Pensa-se como uma das soluções o alívio da carga de contêineres com a retirada de alguns (vários) milhares deles pois, em tese, com o navio mais leve haveria possibilidade de movimentação e permissão de manobra.

Mas a tarefa não é tão simples, pois cada contêiner pesa em média 30 toneladas e, para isso, seriam necessários equipamentos capazes de içarem estas peças localizadas a cerca de 60 metros de altura.

Difícil alternativa a ser empregada, se levar em consideração que todos os esforços concentrados na dragagem não obtiveram o êxito desejado. Ainda assim, a descarga continua válida como um plano.

Por sua vez, o clima não tem auxiliado muito, pois tanto o vento forte quanto a maré baixa estão dificultando os trabalhos de resgate do meganavio.

Os Estados Unidos se dispuseram a ajudar e mandaram uma equipe de sua Marinha ao Egito.

Indagados sobre o prazo para a liberação da circulação marítima no Canal de Suez, as autoridades egípcias foram enfáticas de que não há data fixada, preocupando o sistema de comércio mundial. O Canal de Suez é uma via fundamental para os continentes europeu e asiático.

Estreito e muito importante

Com o bloqueio do “Ever Given”, cerca de 300 embarcações estão paradas dentro do Canal, à espera da liberação de trânsito.

Dentro deles, encontram-se os mais diversos tipos de carga como eletrônicos, petróleo, alimentos (grãos e cereais), veículos automotores e até gado (animais vivos). Estima-se que o conjunto de todos esses navios abriguem o total de US$ 10 bilhões.

Cerca de 12% do comércio mundial passa pelo Canal de Suez e ele se transforma num ponto crucial de ligação entre o Mar Mediterrâneo e o Mar Vermelho – leia-se o seguinte: um fluxo mais rápido e prático entre a Europa, o Oriente Médio e o restante da Ásia.

Se não existisse a hidrovia egípcia, as rotas marítimas utilizariam o Cabo da Boa Esperança, obrigando-os a contornar toda a África para acessar o mercado oriental. Seriam acrescidos 9 mil quilômetros na rota para se chegar aos portos finais.

A título de exemplificação, bens de consumo como brinquedos e papel higiênico acusariam falta nas prateleiras de alguns países em período muito curto.

São quase 19 mil embarcações que usam o Canal de Suez todo ano, levando mercadorias; portanto, essa via representa um importante elemento na cadeia de suprimentos.

O reflexo do bloqueio será sentido nas semanas seguintes, pois, a depender do local de chegada, é possível que portos enfrentem outro problema: o de congestionamento e acesso ao cais.

Estando o transporte marítimo paralisado e com carga petrolífera estimada em 2 milhões de barris por dia, o mercado demonstrou incerteza e os preços mundiais do “ouro negro” subiram 6% durante essa semana.

Apesar da expectativa de resolver o problema de forma breve, os analistas tendem a pensar que o tempo será o principal fator de impacto. Pode-se considerar as areias do deserto como principal ingrediente do tempo, a mostrar dois cenários intrigantes: ou elas cederão a favor do desencalhe do “Ever Given”, ou elas cairão primeiro da ampulheta.

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